Um colega conhecido como Zé Ruela (piada interna) fez um comentário interessante: “Quando eu era mais jovem, o que eu mais queria era ter telefone e e-mail. Agora, depois de adulto, é a última coisa que eu quero ter”. Foi um desabafo em relação à correria do dia a dia.

Lembrei-me do filme Click. O protagonista interpretado por Adam Sandler ganha um controle mágico para passar momentos da vida que não consegue suportar. O período sem a promoção no trabalho, as preliminares do sexo e as discussões familiares estão entre as situações.

De repente, o aparelho registrou os comandos utilizados até então e começou a funcionar no automático. Mesmo que quisesse cancelar o avanço, o personagem já não conseguia mais. Ele perdeu experiências preciosas da vida e entendeu a importância de aproveitar cada segundo.

No culto ecumênico da minha formatura em Jornalismo, o orador abordou algo parecido. Para ele, as pessoas acham que a felicidade sempre vai vir na etapa seguinte. O próximo carro, a próxima casa, o próximo emprego. O presente nunca é o bastante.

Citei o exemplo do meu amigo para mostrar como as nossas expectativas mudam. E isso é absolutamente normal. No entanto, precisamos ter consciência disso antes de pedir para os céus que a vida passe rápido em alguns momentos. Temos que evitar o “automático”.

Uma representação desse debate é quando pedimos que a semana passe ligeiro por causa de um feriadão que está por vir. No momento em que a folga chega, solicitamos que o tempo se arraste, não é mesmo? Esse sentimento costuma até atrapalhar o descanso ou a diversão.

A vida é cheia de surpresas interessantes. Conheço gente que sentia nojo até de uma foto de peixe e que agora é viciada em sushi. Pessoas que não comiam salada de jeito nenhum e que atualmente apreciam cebolinha verde pura durante as refeições.

Não temos como voltar para a infância, mas podemos resgatar de vez em quando o menino ou a menina que existe dentro de cada um. Crianças não podem avançar no tempo. Porém, elas têm como agir de maneira responsável e madura em prol do adulto do futuro.

Saber que nada permanece imutável é o primeiro passo para controlar a vontade de pular etapas. Um acidente na esquina do meu prédio interrompeu um silêncio delicioso no sábado de Carnaval. Por sorte, apenas danos materiais. Só que os carros ficaram destruídos.

Um dos veículos ficou com a buzina acionada por minutos que pareciam uma eternidade. Barulho ensurdecedor. Tenho certeza de que os envolvidos terão dificuldade de esquecer. Será que, durante a semana, algum deles imaginou que isso iria acontecer?


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