O indignadinho é um baita profissional. Coloca excelência em quase tudo o que faz. Só tem um problema: ele é indignadinho. Sempre acredita que há na empresa um complô que o impede de crescer. A culpa é sempre dos outros.

O grande erro do indignadinho é delegar a carreira para a empresa. Para ele, toda reuniāo é motivo para fazer cara feia, jogar m... no ventilador e mostrar para a companhia que ela está errada por não lhe dar um salário de 100 mil.

Não quero dizer aqui que todos os chefes tomam decisões sensatas e que todas as empresas sabem valorizar as pessoas. Muito pelo contrário. Há inúmeros problemas que precisam ser corrigidos. Só que é preciso saber lidar com tudo isso.

A diferença entre o indignadinho e quem cresce na carreira é que o segundo sabe muito bem como é que a banda toca e segue em frente, apesar dos diversos problemas que o mundo dos negócios apresenta.

Outro erro do indignadinho é pensar que fazer com excelência as tarefas é o suficiente para ser promovido a um cargo de gestão. Seja isso justo ou não, a questão é que as empresas querem e precisam de mais.

Uma das competências necessárias é saber lidar com pessoas. A companhia precisa enxergar no indivíduo a capacidade de coordenar outros colaboradores. Isso deve ficar evidente no cotidiano. É necessário ir além do básico.

Quando o nome do indignadinho for mencionado para uma possível promoção, infelizmente as pessoas que têm a caneta na mão vão se lembrar que o fulano simplesmente não consegue expor as ideias de maneira ponderada.

Outra competência necessária para ser promovido é apresentar capacidade para analisar informações e tomar decisões com base nelas. A empresa espera alguém com olhar estratégico, que possa contribuir de forma superiora.

Você pode argumentar que conhece pessoas que cresceram na carreira e que não são assim. Concordo com isso. O erro está em acreditar que um dia vamos apertar um botão e o mercado vai se tornar um lugar totalmente justo.

Não vai acontecer. A injustiça rola solta no mundo dos negócios. A melhor estratégia é nos agarrarmos aos nossos valores. Às vezes, ser indignado é bom. Só precisa ser na dose certa. O que não dá é ter "indignadinho" tatuado na testa.



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