Ao longo de nossa vida, a grande maioria de nós cresce vendo as pessoas que estão à nossa volta dando conselhos, seja porque a outra pessoa pediu, ou simplesmente por conta própria. Muitas vezes, esses conselhos tem um resultado positivo e então, esta pessoa irá te agradecer, porém se o resultado não for o esperado é bem provável que esta mesma pessoa transfira parte do seu insucesso a você.

Essa questão de dar conselhos com base em experiências profissionais e pessoais é tão forte, que temos diversos segmentos profissionais que se baseiam em “dar a opinião”, como por exemplo, o Mentoring e a Consultoria, e essas profissões são extremamente ricas e importantes para a vida de muitas pessoas, assim como de muitas empresas.

Porém, quando tratamos de um Programa de Coaching, essa questão muitas vezes se torna uma crença para o Coachee (cliente), que ainda não conhece o programa, a metodologia.

 

Falando como Coach, percebi durante o meu processo de desenvolvimento, o quanto era complicado administrar essa questão de guardar para mim o que eu achava sobre determinado assunto, e deixar de lado a minha visão de mundo.

Após minha formação e acompanhando alguns colegas, me deparei que eles também tinham a mesma dificuldade para desconstruir o modelo mental que, até então estávamos acostumados, e reprogramar nosso cérebro para não julgar, não opinar.

Usando uma metáfora, é como se tivéssemos que controlar nosso cérebro através de um botão “Opinião”, e passar a ligá-lo e desligá-lo sempre que necessário, pois de fato, o que nós vivemos não necessariamente é a mesma situação de vida das outras pessoas, então, como achar que, o que nós passamos será tão bom, ou tão ruim para a outra pessoa? Como podemos achar que, algo que é totalmente nosso e baseado em nossa experiência de vida, pode servir para o outro?

E quando falamos com profissionais vindos de Consultorias, Terapias e afins, que já passaram uma vida inteira vendendo exatamente a sua experiência de vida para os outros, lhes trazendo resultados, e que agora buscam uma especialização em Coaching, onde essa questão simplesmente não pode existir, isto se torna um paradigma difícil de se quebrar.

Como Coachee (cliente), sempre esperamos que alguém nos diga como agir, mesmo que não façamos necessariamente o que aquela pessoa está nos falando, mas como seres humanos acostumados a ouvir opiniões, e a opinar, sempre temos a necessidade de ouvir algo.

Então esse Coachee (cliente) vai a procura de um Programa de Coaching, mesmo ainda sem saber exatamente como funciona o processo, e quando o Coach simplesmente diz que ele não irá opinar, sugerir, induzir ou qualquer outro adjetivo, muitos Coachees (clientes) podem parar e pensar: "Estou pagando alguém para não me dar solução alguma para o meu problema! É isso mesmo?!” - Porém com uma boa explicação de como o Coaching funciona e que, um dos seus pilares é o autoconhecimento, o Coachee (cliente) começa a perceber o quanto essas atitudes de seu Coach passam a ser valiosas em seu desenvolvimento, pois ninguém é mais especialista em sua vida do que você mesmo.

Sendo assim, quando esse botão "Opinião" é desligado em um programa de Coaching, tanto Coachee, quanto Coach ganham, pois as mentes estão livres de julgamentos e o processo se torna revelador para ambos.

Então, tente desligar o seu botão “Opinião" em alguns momentos de sua vida e passe a fazer perguntas simples as pessoas de seu convívio, e comece a perceber o resultado desta simples ação. É bem provável que você se depare com alguns momentos de silêncio da outra parte, pois certamente você terá feito esta pessoa pensar em algo até então não pensado por ela, e certamente ela começará a encontrar a melhor opção e resposta para ela, com base nas experiências e valores importantes para ela, pois como citei anteriormente ninguém é mais especialista em sua vida do que você mesmo