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Mulher o que temos para comemorar neste dia 08 de março? Sim, conquistamos mais espaço na política, no mercado de trabalho, mas ainda continuamos ganhando menos que os homens e ocupando funções e cargos inferiores aos deles, mesmo sendo mais bem preparadas, tendo melhores formações acadêmicas. Muitas de nós ainda somos vítimas de assédios, violências físicas e emocionais, e continuamos firmes e resilientes, lutando por um futuro melhor, porque acreditamos que podemos e merecemos mais. A lei Maria da Penha abriu um canal de comunicação e proteção para as mulheres, muitas vítimas já foram atendidas, e provavelmente evitou-se que muitas fossem vítimas fatais. Hoje a mulher assume múltiplos papéis, é mãe, esposa, dona de casa, profissional, tem buscado tempo para fazer atividades físicas, e está envolvida com social, muitas vezes é a provedora do seu lar. Como temos conseguido equilibrar estas multitarefas? Estamos satisfeitas com todos estes papéis? Por que precisamos fazer tudo isso? O que queremos de verdade? O que buscamos?

Quando acordamos pela manhã, geralmente acordamos primeiro que todos os demais da casa, levantamos dispostas, felizes por mais um dia, mais uma oportunidade, se nos fosse permitido um desejo a ser concedido, o que nos pediríamos? O que me faz levantar cedo e cheia de esperança? Quais são as minhas forças? Em que ou quem encontro apoio e sustentação nos momentos de dificuldades? Com quem eu posso contar?

Historicamente as mulheres são condicionadas a se preocuparem mais com os outros do que com elas. Geralmente pensam primeiro nos filhos, marido, na casa, trabalho e por fim quando o fazem, pesam nelas. O problema é, se você não cuida de você, quem cuidará? Sua mãe, sua filha, sua irmã, sua amiga? Precisamos ser egoístas, como nas orientações da tripulação de um voo que nos orienta que quando houver intercorrência, devemos colocar a máscara de oxigênio primeiro em nós para depois você ajudar outra pessoa.

O homem por sua vez, cresceu numa cultura que o fez acreditar que ele pode e deve ser o provedor, deve tomar as decisões, fazer suas escolhas e na maioria das vezes ele não precisa pedir opinião, nem aprovação de ninguém. Isso faz com que ele tenha uma performance mais eficaz do ponto de vista de ser mais resoluto e menos preocupado com a crítica alheia, em especial com o impacto de suas escolhas na vida daqueles que o rodeiam. Digo isso, porque tenho observado como para o homem é muito mais simples a tomada de decisão e tanto mais forte a sua convicção e crença de que ele pode fazer o que acha que é certo, desde que alinhado com os seus valores. Por consequência, o homem na maioria das vezes é mais rápido e assertivo que a mulher no alcance de suas metas, especialmente no mundo corporativo. Voltando-se o olhar sobre o prisma da mulher, esta por sua vez, tende a ser mais preocupada com a opinião dos que a rodeiam, bem como com o impacto de suas escolhas e decisões na vida daqueles com as quais ela convive, isso torna o processo de decisão mais difícil para ela, uma vez que a ela tende a considerar todos os seus papéis, e considerando o seu estigma maternal ela procura proteger os que dela dependem, tornando o processo de decisão mais moroso e carregando limitações de crenças que a impedem de construir a sua carreira sem se depararem com a culpa por não terem assumidos a assistência emocional de seus dependentes e familiares.

Tomar consciência que temos crenças herdadas historicamente desta sociedade patriarcal que nos fazem sentir que somos frágeis e precisamos da proteção do homem, do pai, do marido, e que devemos nos submeter as suas vontades e sermos boas meninas, boas esposas e boas mães. E para isso precisamos renunciar muitas vezes os nossos objetivos em função de apoiar os nossos dependentes para que eles alcancem os seus, é o primeiro passo para reconhecer que precisamos quebrar alguns paradigmas. Bem como o desejo de realizar mais, de ser respeitada de igual para igual, como ser humano é o que nos faz ter coragem de substituir esta crença por uma verdade mais libertadora, pois nós mulheres somos tão dignas de respeito e de autonomia quanto qualquer outro indivíduo.

Acredito que todo o ser humano é provido de livre árbitro e como um ser responsável devemos fazer nossas escolhas de forma consistente e lutarmos para alcançar nossos sonhos, construir nossas vidas com dignidade e respeito, desenvolvendo nossos talentos e buscando o aperfeiçoamento e crescimento como pessoa. Pois quando estamos conduzindo nossas vidas de acordo com nossos princípios e convicções, respeitando nossos valores e nossas necessidades, somos impulsionados pela motivação que é a maior força que todo ser humano possui. Realizar nossa missão, deixar o nosso legado, contribuir com a construção da história daqueles que amamos e com uma sociedade melhor. Está deve ser a missão da mulher e de todos os seres de boa vontade!



Informamos que esse texto é de inteira responsabilidade da autora identificada abaixo.

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Marcia Rutilli Konageski da Fonseca

Master Coach

MASTER, EXECUTIVE, TEAM, LEADER & LIFE COACH CERTIFICATION, SLAC PROFISSIONAL DISC & ASSESS CERTIFICATION, SIX SECONDS SLAC EXECUTIVA DO IOCI- INSTITUTO DE OBESIDADE & CIRURGIA MESTRE EM POLITICAS PÚBLICAS DE SAÚDE, UFMT, ESPECIALISTA EM GESTÃO DE SERVIÇOS DE SAÚDE, IPH ESPECIALISTA EM FARMACIA HOSPITALAR, SBRAFH FARMACEUTICA E BIOQUÍMICA, UNIC