Afirmou o seguinte: “Tem que pegar para ajudar a pessoa que está ali entregando”. Vamos recapitular. Quer dizer então que uma empresa tem custo de criar a arte, imprimir e contratar para que o cidadão entregue a folha para alguém que não quer aquilo?

Se eu recebi o material, rasguei e coloquei no lixo, eu realmente ajudei aquele trabalhador que estava embaixo do sol forte? Acredito que não. O objetivo não é, não pode ser a entrega em si. Num mundo com discussões ambientais e corte de gastos, é inconcebível pensar assim.

O que inspirou este artigo foi a atitude recente de um entregador. Vimos que o carro da frente manteve o vidro fechado e ele se frustrou muito ao ver que não conseguiria cumprir a tarefa. O folder chegou a cair no chão. Em solidariedade, quando veio nossa vez, resolvemos pegar.

Ele jogou o material dentro do nosso veículo e, irritado, disse algo parecido com isso: “É só propaganda. Se não quiser, bota fogo”. Sou professor de marketing. Formei-me em comunicação. Imagine minha reação ao ouvir que “é só propaganda”.

O folder em questão era de um restaurante tradicional. A “experiência gastronômica” já começa prejudicada. Em minhas palestras, explico que é preciso ter a certeza de que as pessoas que estão diante do cliente conhecem e defendem a cultura da empresa.

Nelas, relato o caso de um caminhoneiro. Ele transportava vidro e a carga estava toda quebrada quando o veículo foi aberto. O trabalhador me contou como foram os últimos dois dias dele e percebi que praticamente não havia comido ou dormido.

Ele precisava ler e assinar um documento. Não conseguiu enxergar. Aproximou uma vez, duas, três. A folha já estava no nariz dele e nada. Até o momento, temos o seguinte cenário: sem dormir, comer e ver. Esse cidadão estava nas nossas estradas por aí.

O que me contou em seguida me deixou ainda mais surpreso: ele não sabia que era vidro. Portanto, não tomou os cuidados necessários durante a viagem. De que adiantou o atendimento excelente que recebemos da empresa de transporte antes do ocorrido?

Vamos transmitir a cultura da companhia para os colaboradores, sejam eles terceirizados ou não! Assim, será possível amenizar situações como as que relatei. Entendo que são trabalhadores que apenas querem ganhar a vida! Respeito isso. Só que o debate é essencial.
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