Descobri espontaneamente um bom exercício que se transformou em lição . Estava me preparando para mudar de casa e comecei a mexer nas minhas coisas, separando o que é útil e o que poderia ser descartado. Roupas, sapatos, livros, eletrônicos, etc . É impressionante como acumulamos “coisas” desnecessárias que vão virando lixo. Óbvio que muita coisa ainda usável eu doei.

Se fisicamente temos a capacidade de acumular tanta coisa que com o tempo vira descartável, imagine o poder da nossa mente em acumular “lixo” mental. Alguém me disse que normalmente o ser humano vive 70% do seu tempo com o pensamento no futuro, 25% do tempo no passado e somente 5% no presente. Se é cientificamente comprovado eu não sei, comecei a me policiar e constantemente me pego com o pensamento no futuro, forçando sempre o seu curso para o presente. Sabe aquele caminho que você percorreu de carro, por exemplo, chega ao destino e depois se da conta que não sabe como chegou e que tudo parecia passar por você como se fosse um cenário, sem se dar conta. A viagem ocorreu com a visão alerta, porém com a mente distante na maioria dos momentos e você quase não se lembra dos detalhes da viagem. Por que isso acontece ?

É um mecanismo natural viajar nos pensamentos, perder o foco e a concentração acontece com todo mundo – o problema é que não curtimos totalmente o momento, e estar mais no presente exige esforço e muita disciplina. Sabe aquele momento de sentar-se para almoçar só porque chegou a hora do almoço e a fome está gritando. Será que estamos 100% conectados, sentindo o sabor de cada alimento ingerido – ou apenas estamos ali para saciar a fome – é tudo muito automático. Viver no passado não agrega absolutamente nada. Viver muito no futuro provoca uma carga enorme de ansiedade e preocupação, principalmente quando essa vivência é focada em problemas e o “lixo” vai se acumulando, o que é extremamente negativo.

Vamos imaginar a nossa mente sendo um copo transparente com metade de café – aquele café forte e bem preto. Vamos também supor que esse café é o nosso “lixo” mental. Vamos pegar agora um jarro com água cristalina e jogá-la cuidadosamente no copo até transbordar. Vamos observar que vagarosamente a cor do café vai ficando mais clara e lentamente desaparecendo. Para que isso ocorra vai levar um tempo razoável e uma boa quantidade de água até o conteúdo do copo ficar totalmente cristalino. Assim é a nossa mente e o “lixo” mental que todos nós carregamos. A água cristalina pode representar viver mais o presente com menos preocupação e ansiedade. 

Não estou querendo dizer que você não deve ter projetos, objetivos, sonhos, metas, etc. Muito pelo contrário, ter tudo isso é fundamental e é o que entusiasma e motiva mover-se na direção de algo que julga importante. Mas vale lembrar que tudo isso você sente no seu estado presente ou atual como o Coaching gosta de chamar. Viver o presente significa dar os primeiros passos na direção do seu desejo ou meta que está no futuro. Ficar viajando no futuro e não agir no presente não vai levar ninguém a lugar algum, principalmente aonde se deseja. Todos nós temos padrões comportamentais com tendências positivas ou negativas que podem levar a procrastinar ou não as ações necessárias. Pensamos muito e agimos pouco.

O processo de Coaching tem a capacidade de trabalhar esses aspectos e paradigmas que inibem o movimento. A ação é o objetivo principal do processo do Coaching, que possibilita caminhar e agir no momento presente com a visão mais realista para a meta desejada. Viver e agir no presente significa estar focado, determinado e com toda a energia para caminhar na direção dos sonhos ou desejos utilizando, essencialmente, os seus pontos fortes. Peter Drucker já dizia em um dos seus conceitos: “invista no seu ponto forte a ponto de deixar o fraco irrelevante”.

Tim Gallwey, um dos precursores do Coaching, percebeu que os treinamentos convencionais de tênis não mexia com os aspectos comportamentais dos tenistas, o que comprometia a performance. Adotou, após estudos, uma nova postura de pensamento eliminando a autocrítica. Em seu livro jogo interior de Tênis, Tim Gallwey, parte da seguinte ideia: Quando praticamos um esporte competitivo, estamos, na verdade, disputando dois jogos: um com o adversário – chamado de jogo externo – e outro consigo mesmo – jogo interior.

“O adversário na nossa própria cabeça é mais formidável do que o que temos do outro lado da rede”



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