As perguntas morrem cada vez mais com seres humanos ávidos apenas de obterem as respostas. A sociedade quer a delícia dos fatos prontos. É como se uma não precisasse da outra no desenvolvimento do pensar. Podemos comparar a uma criança entrando na delicatessen sem provar o bolo. Há um sepultamento entre o segredo e a descoberta. A lógica tornou-se loucura para prevalecer uma emoção varrida da falta de sabedoria.

 Jogo de xadrez, palavras cruzadas, livros perdem espaços para a robótica das imagens prontas. Não que precisemos negar a evolução tecnológica. Porém, o desenvolvimento cerebral estaciona ou diminui quando a ilógica quer ser lógica. Uma sociedade que estimula e reprime a todo o tempo. Um mercado que traz o problema e a solução. As frases de efeitos parecem nos afirmar que todos temos doze anos de idade.

 Um consumo desenfreado para satisfazer o desencontro interno da autodescoberta. Pessoas compram e após um dia sentem que não precisavam daqueles objetos adquiridos. Aplacar a dor como fuga do ego. O raciocínio dedutivo embotando-se e anestesiado das ilusões em noites afins das telenovelas. A paranoia delirante de querer ter sem ser alguma coisa primeiro. A hipnose de se igualar a todo mundo sem haver questionamentos. O perder da identidade para ser incluso no senso comum. Como podemos usar as nossas melhores habilidades para vencermos esses desafios?

Os justos seriam sinceros ao afirmar que algumas profissões têm dias contados, ou pelo menos, uma redução drástica dos profissionais. Os bons detetives contaremos aos dedos. O método socrático parece coisa de outro mundo. Estão gerando de forma consciente o emburrecimento das massas. Pensar está dando medo em muita gente. Apesar de serem poucos, alguns lucram muito com a diminuição de dopamina, serotonina e endorfina no organismo. A educação como um todo também não está fugindo dessa premissa. Músicas que afetam nossos neurotransmissores. A tristeza querendo vencer a esperança. Os valores sendo quebrados para que ídolos sejam admirados como uma solução social. Um pânico de olhar para o interior e descobrir que os melhores recursos estão dentro do âmago. O receio de onde a  luz possa nos levar.

Então, a dedução positiva faleceu para podermos deduzir os fatos mencionados acima. Nós perdoamos a redundância antagônica do filosofar nesse momento. Quem seríamos quando as reflexões do agora permeassem os nossos atos antes deles serem efetivados? Acreditamos que respondendo à essa pergunta conseguiríamos construir a nossa história de forma mais consistente. Por enquanto, e de longe, apenas podemos escutar um Sherlock Holmes anunciando em baixo tom: - Elementary, meu caro, cada um de nós.

Muita Luz!