Suponha alguém que tenha cálculo renal ou seja hipertenso. Após o retorno da consulta, com os resultados dos exames devidamente analisados e problemas diagnosticados, era de se esperar que, no mínimo, o paciente saísse dali convencido da necessidade de mudar algumas atitudes. Mas, o que se percebe é que nem sempre isso acontece.

De acordo com pesquisa feita pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), 70% a 80% dos pacientes diabéticos não aderem ao tratamento sugerido pelo médico*. Esta situação independe da competência do profissional. Por mais capacitado e atencioso que seja, muitas vezes, não consegue fazer com que o paciente mude de postura e se adeque ao tratamento.

Outra pesquisa feita com diabéticos, aponta que falta de motivação é a principal causa de não aderência ao tratamento, sendo 52% em relação à alimentação e 46% a atividade física**.

O que acontece nesses casos é que muitas vezes o paciente não agrega valor ao tratamento. Mesmo sendo óbvio que determinado problema pode desencadear em uma série de eventos negativos em sua vida, ele mesmo não consegue fazer tais conexões, não coloca os devidos pesos em suas escolhas e não mensura os resultados, de tal forma que sabota a si mesmo. E isso é tão forte que acontece em problemas de baixo e alto risco.

Os profissionais da área da saúde também não possuem técnicas e ferramentas, e não têm tempo suficiente para apoiar o paciente a descobrir os reais benefícios do tratamento para sua vida. Ou seja, não conseguem agregar o valor do tratamento na vida da pessoa.

É fato que ninguém nos muda, a não ser que permitamos tais mudanças. A chave para nossas transformações está em nossas mãos.

Se vamos ao médico e agregamos valor ao tratamento, ou seja, enxergamos o quanto aquilo nos será benéfico, saímos dali com propósito de mudar nossa rotina. Mas caso isso isso não ocorra, pode ser o melhor médico que, nada adianta.

No coaching, o próprio cliente descobre seu querer e molda suas ações para alcançar seus sonhos. No processo, ele mesmo se permite ou não.

O que a sociedade médica está percebendo é que um tratamento médico aliado ao processo de coaching é muito mais eficiente, pois o coaching, sim, possui técnicas e ferramentas capazes de ajudar o paciente a descobrir seus valores, entender suas necessidades, analisar suas escolhas e medir as consequências. Por isso, cada vez mais médicos indicam e incentivam um desenvolvimento com coaching.

Saindo da consulta e entendendo que o tratamento irá: suprir suas necessidades, fortalecer seus valores, dar condições para viver seus sonhos e conquistar seus objetivos; o paciente passa a viver de acordo com as recomendações médicas, pois enxergou ganho no tratamento mesmo que isso lhe custe alguns prazeres.

Quando o paciente percebe isso, ninguém precisa lhe dizer mais nada, ele mesmo já se permitiu mudar, pois enxerga os benefícios futuros.


*COUTO, Alcimar Marcelo do . Adesão dos diabéticos ao tratamento não medicamentoso: um desafio para o PSF Rosário de Bom Despacho - MG. Universidade Federal de Minas Gerais. Faculdade de Medicina. Núcleo de Educação em Saúde Coletiva . Bom Despacho, 2010. 84f.Monografia (Especialização em Atenção Básica em saúde da Família).

**(ADHERENCE TO LONG-TERM THERAPIES Evidence for action; World Health Organization 2003)



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Thiago Rocha de Paula Baptista

Master Coach

Thiago Baptista é Personal & Professional Coach, Professional Executive Coach e Master Coach formado pela SLAC (Sociedade Latino Americana de Coaching), certificado e reconhecido internacionalmente pela IAC (International Association of Coaching) e Analista Comportamental DISC (DiSC® Certified Trainer), ASSESS e SIX SECONDS. www.facebook.com/ThiagoBaptistaCoach