Ser empreendedor não é fácil. Muitos patrões querem aumentar salários, mas esbarram nos custo absurdo que cada iniciativa como essa tem no Brasil. Aqui, tudo é mais caro e burocrático. É por essas e outras que não avançamos.

Apesar disso, algumas atitudes ainda me incomodam. Muitas vezes, empresas percebem rápido que um novo colaborador é diferenciado. Mesmo assim, adotam como política manter a remuneração baixa até que algo aconteça.

O pensamento é o seguinte: "Esse cara merece mais sim. Mas vou aproveitar o fato de não reclamar. Se um dia ele receber uma proposta ou vier falar de aumento, aí conversamos. Enquanto isso, tenho um profissional incrível a custo baixo".

Se a empresa estiver saudável financeiramente, essa não é uma boa ideia. Esse empregado diferenciado se foca porque é comprometido e é por isso que a estratégia parece adequada. Só que ele poderia entregar muito mais.

Para que a companhia possa explorar ao máximo o potencial que tem para gerar lucros, os profissionais incríveis precisam ter o direito de trabalhar sem medo de ficar sem dinheiro para visitar a namorada ou comprar um remédio.

Uma questão que sempre me incomodou é vincular o salário ao padrão de vida que a pessoa já tem. Por exemplo: "Ele é solteiro e não tem filhos. Portanto, essa remuneração é suficiente". Competência e desempenho não contam?

Penso isso há anos, mas nunca tive coragem de compartilhar. Principalmente por causa do fator custo que mencionei no início do texto. Resolvi falar quando conheci o livro "Dobre seus lucros", de Bob Fifer. A obra é impressionante.

O autor é um dos mais severos para a redução de custos que já vi. Mas veja o que ele afirma: "A gerência deve pagar salários generosos, para que todos sintam que participam dos benefícios de criar uma empresa altamente lucrativa".

Esse livro é encarado quase que como um guia pela Ambev e é preciso ser lido por qualquer um que queira entender o sucesso da companhia. "Estabeleça um nível salarial elevado e dê aquilo que cada um merece", diz outro trecho.

Vale um lembrete para os colaboradores. Você só se encaixa nesse contexto se conseguir se tornar realmente diferenciado. Ouvi, certa vez, que um cidadão blefou sobre uma proposta. Obteve o seguinte retorno: "Pode ir".



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