Minha esposa fez um comentário sobre o local em que gostaria de ser enterrada. Bati três vezes na madeira, com medo de perdê-la. Quando chegou a minha vez de falar, a primeira coisa que surgiu foi: “Se algo acontecer logo (novas batidas na madeira), cuide de minha obra”.

Disse a ela: “Use meus textos. Publique meu segundo livro”. Pode parecer pretensão usar o termo “obra”. Peço desculpas se exagerei. Afinal, quem sou eu parar dizer isso dos meus próprios textos, não é mesmo? O pensamento reflete, porém, o amor que dedico ao que faço.

Vivo um momento importante. Em julho de 2016, chego à versão 3.0. Trata-se de outra oportunidade de fazer um apanhado sobre o que passou e vislumbrar o que, se Deus quiser, está por vir. Acredito que uma das maiores lições que aprendi vem de um ditado chinês.

Li a frase por acaso, há alguns anos, nem me lembro onde. O impacto na minha vida foi profundo. A afirmação é a seguinte: “Jamais se desespere em meio às sombrias aflições de sua vida. Das nuvens mais negras, cai água límpida e fecunda”.

Penso nesse ensinamento, por exemplo, toda vez que assisto ao filme “O Conde de Monte Cristo”, baseado na obra (essa sim “obra”!) de Alexandre Dumas. O personagem Edmond Dantès é preso de maneira injusta e passa 13 anos no Castelo de If.

Como se não bastasse a prisão, ainda era surrado toda vez que o encarceramento fazia aniversário. De acordo com o diretor do local, era uma forma de “ajudar” os detentos a marcar o tempo. Dantès teve a liberdade roubada. Parecia o fim de tudo.

No castelo, encontrou o abade Faria, que se tornou amigo dele. O padre ensinou o colega a ler e a escrever. Também deu lições de economia, física e até esgrima. O aprendizado foi gigantesco. Quando teve a oportunidade de fugir, era outro homem.

Concordo que o exemplo foi extremo. É preciso um esforço enorme para enxergar um lado positivo em ser trancafiado no Castelo de If. Peço perdão novamente. Não consigo controlar certas coisas. De qualquer maneira, o caso serve como paralelo para o nosso dia a dia.

Quantas vezes nos entregamos por obstáculos bem menores? Tudo o que Dantès amava foi arrancado sem dó. Mesmo assim, da nuvem mais negra, caiu água límpida. Que, aos 30, eu permaneça com essa teimosia. A teimosia de procurar sentido em tudo o que ocorre ao redor.



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KHALED SALAMA

Master Coach

Khaled Salama é jornalista, executivo, palestrante e coach. Escreve semanalmente sobre mundo corporativo para diversos veículos de comunicação. As palestras são nas áreas de atendimento ao cliente, trabalho em equipe, liderança e motivação. Para a trajetória completa e mais informações, acesse o site: www.khaledsalama.com.br.