Comunicação ascendente significa como eu me comunico com meus superiores, descendente com os colaboradores, lateral com meus pares e transversal com os demais stakeholders. Podem parecer complexas demais estas classificações e muitos gestores devem se perguntar: como trazer para um cotidiano atribulado tantos conceitos e torná-los práticos? Por que abordar e se portar de forma diferenciada com cada público se a informação é a mesma? Dúvidas pertinentes, afinal, o conteúdo é o mesmo sim, porém, o efeito desejado em cada camada de público é bem distinto.

Em qualquer processo de comunicação o gestor deve ter clareza sobre o efeito desejado e deixar a cargo de seus cinco sentidos a melhor construção sensorial para a informação ser transmitida. Isto significa dizer que a forma mais eficiente de comunicar é utilizar as características positivas da sua “essência”, aquelas que são natas. Se você se expressa bem verbalmente, aborde através da fala, desde que seja conciso, traga exemplos, fatos e dados para sustentar a comunicação. Se você é um bom ouvinte, utilize-se de gráficos e fluxos para amparar sua argumentação.

Nada é mais eficiente do que manter e respeitar seus pontos fortes, ou seja, sua essência. Colocando-a na base de todo e qualquer processo comunicacional, a naturalidade com que você abordará qualquer mensagem traduzirá credibilidade sobre o tema e consequente segurança por parte do interlocutor. Desta forma, mantenha as suas características individuais fazendo a melhor combinação entre seus cinco sentidos e sua razão.

Clareza na estruturação das ideias é outro fator que deve ser considerado para uma boa comunicação com os diversos públicos da organização. Fique atento na contextualização. Preocupe-se em esclarecer a outra parte sobre o que, como, onde e quando determinado fato aconteceu ou acontecerá e o porquê disto. Esteja empenhado em gerar um significado para tudo que informar. Se você é líder e vai comunicar a fusão da sua empresa com outra, por exemplo, para os colaboradores você poderia ressaltar os benefícios que isto acarretará a todos; se for o presidente a comunicar o fato aos seus diretores deverá destacar os objetivos estratégicos, como uma ampliação de share; se o gestor for comunicar a algum de seus pares deverá focar na importância daquilo para todas as áreas da organização; e se for comunicar a um fornecedor, a relevância será na necessidade de contar com o apoio para o fornecimento redobrado da matéria-prima, tendo em vista a ampliação da produção.

 

Afora a contextualização diferenciada, a forma com que a comunicação será feita, também deve ser observada. Faça um pequeno resumo do que deve ser dito para cada público. Cinco frases no máximo, contemplando respostas para as perguntas: o que, como, onde e quando, destacando principalmente o “porquê”. Esta compilação norteará seu processo comunicacional para com cada stakeholder, seja pela escrita ou pela linguagem verbal. Lembre-se ainda de que o corpo fala o tempo inteiro, portanto, gestos exagerados podem ser interpretados como ansiedade e, ao contrário, a ausência de gesticulação pode trazer ao discurso uma percepção de timidez excessiva ou insegurança. O bom senso, diante de cada cenário, deverá prevalecer sempre.

Como os líderes comunicam o tempo inteiro, inclusive quando estão em silêncio, observe que os seus comportamentos são sempre analisados e geram interpretações diversas. Atenção para não optar pelos extremos em sua comunicação corporal, falada ou escrita: Muito ou pouco, bom ou ruim, simples ou complexo, baixo ou alto, gargalhadas e murmúrios, enfim, prefira sempre o caminho do meio, como já dizia Buda.

Com o hábito destas práticas o gestor estará apto a se relacionar com toda a cadeia de stakeholders organizacionais. Mas, é preciso treinar e aculturar o perfil comunicacional em seu DNA. Nenhuma grande estratégia terá sucesso se não sair da cabeça de seus líderes e for assimilada por aqueles que tocam a operação. Por isto é necessário ser Gestor Comunicador, 24 horas por dia.