*Antonia Regina Paz Gregório

As sessões de coaching, não raro, podem ser confundidas com psicoterapia. Ao falar sobre o assunto, o coach se depara com certa frequência, com falas do tipo “coaching é aquilo que ajuda as pessoas a se conhecerem, que diz como elas são”,” sei, coaching é um processo de aconselhamento”,” o coaching vai me dizer o que fazer pra conseguir chegar onde eu quero” e por aí vai. Não sei com que frequência os coaches têm escutado tais coisas, mas escutei bastante ultimamente.

É interessante ver como as pessoas descontroem o modelo que trazem a respeito desse processo. Ao decidir iniciar sessões de coaching, o coachee, após todas as explicações sobre o real funcionamento do método, se mostra ansioso, entusiasmado, considera-se pronto para subir o primeiro degrau do seu processo de mudança. E é maravilhoso ver o quanto o coach torna-se responsável pelos anseios de uma pessoa, o quanto o coachee espera de seu coach.

Após três ou quatro sessões, pude perceber a desconstrução mental pela qual o coachee passa. Sou iniciante, porém, como boa observadora e sensível às pessoas, não pude deixar de perceber o quanto falar de si impacta uma pessoa, pois é sempre mais fácil falar de alguém do que de nós mesmos. Chama a atenção os sinais do desconforto.  Uma mão no cabelo, um cruzar de pernas, um olhar vago, enfim, são várias as maneiras de demonstrar a inquietação.

O coachee ali, exposto, tentando esconder alguns detalhes que, para nós é essencial. Ele não quer que saibamos suas fraquezas, aliás, quem quer?! Quando o coachee se dá conta de que está falando, talvez mais do que gostaria, vê-se num beco sem saída, já que quanto mais ele fala, mais perguntas poderosas vão ser lançadas. Ele não sabe o que vem depois “contra” ele, artilharia que ele próprio forneceu. Mas, o objetivo do coaching é exatamente este, levar o coachee ao autoconhecimento.

Conhecer-se é abrir uma porta que não mais poderá ser fechada e, essa porta é imensa, pois leva a inúmeras possibilidades. A máxima “conhece a ti mesmo” faz-se uma constante durante todo o processo de coaching, visto que ao procurar um especialista em comportamento humano, o coachee, ainda que negue, deseja conhecer-se. Para chegar a uma meta, é necessário que busque em si mesmo as competências e habilidades próprias de que dispõe para alcançá-la.

Quanto mais se descobre, mais o coachee evolui, porém, em alguns casos, pode querer retrair-se e buscar a sua zona de conforto. Tenho observado que alguns coaches podem adotar um comportamento de ostracismo após algumas sessões. Uma experiência em particular, chamou minha atenção pelo fato de ter sido realizada à distância, um acontecimento realmente necessário no momento. Após essa sessão, a pessoa relatou que se sentiu mais à vontade e, ao ser questionada sobre o porquê, respondeu que ficou mais tranquila, mais leve. A leveza, acredito, se deu, sobretudo ao fato de não haver o confronto olho no olho, a observação direta que muitas vezes incomoda.

A tentativa de desistência também é um fator relevante após as primeiras sessões. Percebendo que é peça fundamental para o desenvolvimento da meta, o coachee é chamado a uma tomada de decisão que implica em ações diretas, claras e estratégicas que ele próprio precisa determinar e realizar. Quando ele tenta retornar à zona de conforto, o que está buscando é a proteção da sua individualidade, aquele que antes ele sabia quem era. Agora, com todos os confrontos possíveis, é necessário que o coachee encontre no novo algo em que se reconheça.

De acordo com o estado atual, com o perfil de comportamento e o grau de comprometimento com o objetivo que deseja alcançar, o coachee demonstrará empolgação ou desinteresse pelas sessões de coaching. Quando busca aconselhamento, dicas ou algo desse tipo, decepciona-se e tende a desistir, no entanto, se procura autoconhecimento, eliminação de crenças negativas e crescimento, seja pessoal ou profissional, ao longo das sessões, vê que está no caminho certo, sente-se mais motivado e segue até o final.

As mudanças do mundo contemporâneo exigem que as pessoas se enquadrem nelas com grande velocidade. Conhecer a si mesmo é um fator crucial para inserir-se nessas mudanças e adaptar-se mais facilmente às relações intra e interpessoais e é aqui que o trabalho do coach mostra-se essencial.