Entretanto, não se pode deixar de lado uma faceta essencial do processo de coaching, ou seja, a de que o coachee necessita assumir a responsabilidade pessoal do seu próprio crescimento e mudança. Além do que, sem uma medida de autoavaliação, nada fará uma diferença real e significativa no comportamento do cliente. Nesse aspecto até se pode pensar um autocoaching desempenhando seu papel.

Muitas são as literaturas que defendem a eficiência do autocoaching. Estudiosos e pesquisadores do assunto apontam ferramentas que ultrapassam as fronteiras de uma simples reflexão de autoajuda, ou seja, técnicas resultantes da metodologia coaching posta em prática e utilizada em benefício próprio. Destacam-se nesse contexto o Doutor (Phd) Joseph Luciani, autor de “The Power of Self-Coaching: The Five Essential Steps to Creating the Life You Want” e Brooke Castillo, a psicóloga autora de “self-coaching 101”.

Alguns fundamentos são recorrentes nos diversos estudos e merecem uma reflexão. Primeiramente, qualquer pessoa que busque alta performance deve ignorar o mito de que outra pessoa pode "salvá-la", além dela mesma. Um coach pode até ajudar, fomentando uma maior descoberta e autoconsciência, mas sem o trabalho do coachee, nada acontece.

Um outro fundamento, comum a esses defensores do autocoaching, são certos ensinamentos psicológicos que elevam o “pensamento” a um patamar merecido. Os pensamentos determinam as emoções e sentimentos, que por sua vez definem as ações que conduzem aos resultados. Partindo desses fundamentos, algumas ferramentas para uma boa prática de autocoaching podem ser relacionadas:

1. Escute os seus pensamentos - os pensamentos acontecem voluntária ou involuntariamente. Com uma simples meditação a pessoa poderá escutá-los. Analise e reavalie aqueles pensamentos automáticos que reforçam dúvidas, medos e preocupações, buscando transformá-los ou substituí-los por outros que o aproximem de suas metas.

2. Separe fatos de ficções – conflitos internos ou intensas experiências emocionais muitas das vezes são resultados de simples ficções criadas por seus pensamentos involuntários. Questione se são realmente fatos ou ficções que você passou acreditar e se transformaram em crenças limitantes. Essas ficções, uma vez expostas, passam a perder força.

3. Pare de potencializar alguns de seus pensamentos - uma vez iniciado o processo de distinguir fato de ficção, desafie-se a parar de dar atenção àqueles pensamentos que têm poder sobre você. Não deixe eles “se criarem”.

4. Converse consigo mesmo – esta é uma técnica simples e muito poderosa que poderá ajudá-lo a aprender a parar, distinguir pensamentos que o aproximam ou o afastam de suas metas e seguir em frente. Diga simplesmente para você mesmo: “isto não é verdade… eu estou permitindo que isto tenha muito poder sobre mim mesmo...vou relaxar e seguir em frente! ”. Uma vez você conseguindo falar consigo mesmo, passará a experimentar o fortalecimento do autocoaching. Ouça-se com atenção e estruturadamente.

Na medida em que se pratica o autocoaching, aprende-se a pensar de forma deliberada. Não somente serão removidos os pensamentos inconvenientes e inadequados à consecução das metas, mas também haverá um aprendizado de como criar pensamentos que definam melhores sentimentos e emoções, que levem a ações e resultados desejáveis. Ao praticar autocoaching, o que se faz realmente é aprender como pensar.



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José Bonfim Albuquerque Filho

Life Coach

Mestre e Doutor em Administração pela UFPR. Graduado em Administração, é também Bacharel em Ciências Militares e Doutor em Aplicações Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. É especialista em docência do ensino superior e foi professor universitário no RJ, PR e PB. Hoje dirige a Coaching & Consultoria Soluções Empreendedoras, ajudando executivos a alcançarem suas metas.