Por outro lado, a observação, além de poder estar ou não relacionada apenas à visão, implica em que, necessariamente, haja um agente consciente que registre e incorpore o que está sendo observado de forma ativa. Assim, durante a observação, a pessoa percebe o fenômeno que está acontecendo de forma atenta, procurando realmente reconhecer as minúcias e detalhes que estão envolvidos nele. Como consequência, o ato de observar um fenômeno implica em que ele seja incorporado pelo indivíduo e passe a fazer parte de suas experiências e de seu modelo pessoal. Porém, existe uma complicação a mais que precisa ser considerada acerca desse tema.

A informação que cada indivíduo recebe de seu meio é processada pela personalidade, que impõe seus próprios conteúdos sobre ela. Por isso se diz que não há uma apreensão objetiva da realidade, e sim uma apreensão pessoal. Aquilo que é observado passa por uma série de filtros que surgem ao longo do desenvolvimento de cada indivíduo, de sua história de vida e experiências prévias, e nesse processo, assume contornos muito específicos e pessoais. É nesse contexto que a técnica da auto-observação é apresentada. Ela implica no desenvolvimento de uma atitude de observar a realidade e ao mesmo tempo, observar a si mesmo, permitindo, num primeiro momento, estudar como a personalidade reage frente aos eventos.

Esse objetivo inicial consiste em adquirir uma maior consciência dos filtros citados acima e perceber de forma imparcial, como os limites, condicionamentos e conteúdos da personalidade influenciam na percepção. O segundo passo consiste em desenvolver um agente observador que seja capaz de localizar-se fora da dimensão da personalidade. Ou seja, essa prática acarreta o desenvolvimento gradual de uma nova dimensão de ser que passa a atuar como um novo ponto de perspectiva a partir do qual a realidade pode ser observada de forma mais objetiva e menos poluída pelos conteúdos da personalidade. Essa nova estrutura formada ao longo do processo recebe o nome de Eu Observador, e passará a atuar como um repositório da identidade, de forma a permitir que o indivíduo mantenha-se livre do processo de identificação com a personalidade e com o ego. Pois, no estado chamado de identificação, que é característico do homem adormecido, ao entrar-se em contato com as coisas, perde-se a identidade, ou seja, a sensação de ser se confunde ora com elementos e eventos externos, ora com os processos internos que a personalidade mecanicamente desencadeia.

Disso decorre uma das definições possíveis de consciência que consiste na capacidade do indivíduo estar ciente de si mesmo e ao mesmo tempo, ter uma ciência objetiva das coisas. O indivíduo consciente deve ser capaz de manter sua sensação de ser ou sua identidade ao mesmo tempo em que observa a si mesmo frente aos eventos da realidade, que podem então ser observados de forma livre dos limites e filtros que a personalidade impõe.



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Luiz Alfredo Porto

Life Coach

Mais de 10 anos de experiências em Recursos Humanos. Sólida experiência na área de Administração de Recursos Humanos e Qualidade, com forte atuação em Administração de Cargos e Salários, Recrutamento e Seleção, Benefícios, Treinamentos, Avaliação de Desempenho, Gestão de Cultura e Clima, Desenvolvimento Humano e Folha de Pagamento.