Apesar da sua simplicidade, o bambu é uma das árvores mais resistentes que existem e é de extrema importância para diversos setores da economia e da sobrevivência humana no Japão, tais como a alimentação, a produção de álcool, produção de celulose, artesanato, construção civil, produção de móveis... A lista é longa! Além de tudo isso, é amplamente difundido na cultura japonesa (e de outros países orientais também!), sendo considerado nobre e sagrado. Tanto é que lá seu tronco oco é chamado de “morada dos deuses”.

A filosofia Zen Budista possui uma lenda chamada “As 7 verdades do bambu”. Tentarei aqui resumir cada uma delas, da forma mais clara possível, para que vocês consigam aplicar essas lições em suas vidas cotidianas. Ok? Vamos lá!

1ª Verdade: Se curve, mas não se quebre.

Seja na mais suave brisa ou no maior vendaval, os troncos de bambu balançam. Apesar de sua enorme raiz, ele se deixa levar pelo movimento do vento, nos mostrando que mesmo com a sua fundação sólida ele consegue ser leve e flexível. Se mover com o vento e não contra ele. Adaptabilidade. O bambu nos ensina que a vida flui muito melhor quando levamos a vida com mais tolerância e leveza e para isso é preciso termos humildade, seja para reconhecer um erro, voltar atrás e pedir desculpas, ou para sermos mais flexíveis e menos duros em relação à vida, à nossa família, ao trabalho, às demais pessoas que nos rodeiam e inclusive em relação a nós mesmos. E a base dessa flexibilidade está nas suas raízes sólidas. Com elas, menos chance teremos de nos desvirtuarmos dos nossos objetivos e das nossas metas.

2ª Verdade: O que parece fraco pode ser forte.

Em comparativo com a robustez, envergadura e imponência das grandes árvores como as Figueiras e os Ipês, o bambu aparenta ser extremamente frágil. Pois bem: aparenta. É surpreendente notar o quão resistente ele é frente a condições climáticas totalmente desfavoráveis, suportando bravamente tanto invernos quanto verões intensos, chuvas fortes e ventanias avassaladoras, mantendo-se de pé ao final dos tempos difíceis. Portanto, por mais que você se sinta fragilizado, desanimado e para baixo, não deixe de acreditar na força que existe dentro de você e nem se subestime, achando-se inferior aos outros. Se você acreditar em si e continuar em pé como o bambu, perceberá o quão forte é a sua capacidade de não se deixar derrotar.

3ª Verdade: O conjunto faz a força.

É impossível acharmos um único bambu sozinho. Ele sempre brota muito próximo de outros bambus, para que, juntos, se tornem mais fortes e resistentes. É preciso aprendermos a cultivar o espírito de grupo e ajudarmos uns aos outros, pois quando as forças se unem, fica bem mais fácil atravessar os obstáculos e adversidades que a vida nos impõe.

4ª Verdade: Não se deixe derrotar pelas adversidades.

Durante o inverno, o bambu se curva de tanta neve sobre ele e assim fica por meses. Após o desgelo, ele volta à sua posição original mesmo após tanto tempo envergado, como se nada tivesse acontecido. Isso é possível graças aos seus nós, são eles que dão ao bambu a força e a resistência para suportar todas as suas adversidades. Em nossa vida, os nós podem ser representados pelas pessoas que amamos, que estão sempre junto de nós para nos ajudar a enfrentar as dificuldades da vida, e pelas experiências e lições que tivemos, que nos dão bagagem para enfrentar as dificuldades que enfrentamos no dia a dia.

5ª Verdade: A sabedoria está no vazio.

O bambu é oco por dentro. Seu interior nos lembra que para aprender, o primeiro passo é esvaziar a mente de velhos preconceitos arraigados. Do mesmo modo que não se pode encher um copo que já está cheio, o conhecimento só é absorvido por aqueles que estão abertos ao que é novo e diferente. Portanto, devemos esvaziar nossa mente de tudo que não irá acrescentar nada em nossas vidas e que somente nos faz perder nosso tempo. Esvaziar a mente de preconceitos, orgulho e medo, é abrir espaço para novas possibilidades.

6ª Verdade: Crescer sempre.

O bambu é uma das plantas que mais crescem no mundo. Assim como o bambu, também devemos galgar sempre o nosso crescimento. Assim como o bambu, o céu deve ser o nosso limite. Assim como o bambu, devemos sempre olhar para o alto e seguir adiante com nossas experiências, sempre evoluindo. Na vida precisamos ter metas e evoluir sempre, mesmo que não se perceba o próprio progresso. O bambu cresce mais rápido em torno da estação chuvosa. Às vezes, podemos também ter “estações” onde crescemos mais e outras “estações”, que crescemos menos. No entanto, é importante que o crescimento seja contínuo.

7ª Verdade: Buscar sempre a simplicidade.

O bambu é extremamente simples. Possui galhos bem pequenos, afinal de contas não existe um porquê para gastar energia com isso. É preferível gastar energia em seu tronco, que o sustenta! Falando em tronco, sua estrutura em si não tem nada de complexo. Devemos buscar ser como o bambu principalmente neste ponto. Gastamos muito tempo tentando mostrar como somos inteligentes, talvez para convencer os outros e a nós mesmos que somos dignos de atenção e elogios. Muitas vezes complicamos o simples para impressionar e não somos capazes de simplificar o complexo. Assim, o medo de parecermos muito simplórios nos impede de encontrarmos soluções criativas para resolvermos os problemas do dia a dia. Devemos focar em nossas metas e buscar na simplicidade um degrau para a nossa subida. Não será tomando o espaço do outro com seus galhos ou então usá-los para demonstrar “soberba” e “arrogância” que nos trará felicidade. Sejamos então como o bambu: simples e útil.

E então? Como você tem levado a sua vida? Continua de pé, assim como o bambu, ou está perto de cair, como as outras grandes árvores que existem por aí? Espero que tenham gostado dessas 7 verdades/lições que o bambu nos dá e que as usem em suas vidas!



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Igor Trisuzzi

Life Coach

Life Coach credenciado pela SLAC, é formado em Administração de Empresas pela FEA-USP, com passagem acadêmica pela Universidade do Porto (Portugal), além de ser certificado como Green Belt em Metodologia Lean Six Sigma de Gestão de Projetos pela Fundação Vanzolini. Faixa Preta de Judô desde 2004, leva o esporte como filosofia de vida, buscando sempre o seu melhor e o de todos a sua volta.