Assim como nos esportes, os coaches eficazes no local de trabalho têm bem clara a performance que estão tentando melhorar. Para tal finalidade, o conceito de velocidade nas decisões pode ter grande valor. Velocidade nas decisões é acelerações e direção (ou precisão) nas decisões. Performance é o resultado das ações específicas praticadas pelas pessoas para implementarem a estratégia da organização.
Aumentar a velocidade na tomada das decisões não é por si só necessariamente útil para o resultado financeiro final, já que, se a decisão não for precisa, você obterá uma má performance. Aumentar a precisão na tomada das decisões também não é por si só necessariamente útil, já que, se não houver aceleração suficiente, os seus concorrentes passarão à sua frente. Entretanto, aumentar tanto a velocidade como a precisão na tomada das decisões pode ser uma fonte de vantagem competitiva, pois tais atividades são subjacentes a tudo que as pessoas fazem no trabalho.

Diversamente do que ocorre com a abordagem de comando e controle, quando uma ação é escolhida por um indivíduo, o comprometimento, energia e enfoque da pessoa em relação à ação são muito maiores. Em outras palavras, quando as ovelhas querem entrar no curral, o pastor e seu cão têm menos trabalho a fazer. De modo semelhante, quando tomam as próprias decisões e assumem a “propriedade” em relação a elas, as pessoas dedicam a essas atividades um esforço discricionário. 

Esforço discricionário (distinto do esforço obrigatório) é o que as pessoas inserem em suas vidas particulares quando se levantam às 3:30h no sábado de manhã para ir pescar, ou trabalhar voluntariamente para uma organização de valorização da vida como o CVV, ou ser treinador de alguma equipe dente-de-leite. Esse tipo de esforço não pode ser forçado nem constar de uma definição de função, mas é a “essência” da performance de pico. Trata-se de algo dado por quem realiza a performance, e não imposto pelos líderes. 

Coaching

Por trás de todas as ações praticadas pelas pessoas existem decisões. Os coaches do local de trabalho aceleram a velocidade das decisões e, portanto, constituem um ponto de grande alavancagem para se criar mudança em qualquer nível dentro de uma organização. A alavancagem resulta do fato de os líderes serem aconselhados, aconselharem outras pessoas através de toda a organização e focalizarem esse aconselhamento na velocidade das decisões.

A palavra coaching adquiriu uso corriqueiro no século XV, quando descrevia algo que “transporta pessoas de valor de onde estão para onde desejam chegar”. Essa definição, obviamente, se referia a uma carruagem. Embora singelas, as palavras são reveladoras quando pensamos em excelência no coaching.

“Transportar pessoas de valor” – Os grandes coaches asseguram-se de que seus tutelados saiam da interação de coaching com a auto-estima elevada. O coach faz isso preservando o amor-próprio e a dignidade dos tutelados – mesmo quando tem de ser durão com eles e/ou eles não gostem dele.

“De onde estão” – Pode parecer óbvio, mas muitos coaches/líderes passam mais informações aos seus seguidores do que estes conseguem diferir de uma só ver (exemplo: um programa de orientação para funcionários recém-contratados no qual uma quantidade enorme de novas informações é lançada sobre as pessoas, sem que a maior parte delas seja assimilada). 

A lógica subjacente é que “não temos tempo para fazer isso em ‘porções digeríveis’”. Seria conveniente se as pessoas pudessem começar onde que o coach estivesse (isto é, serem capazes de lidar com todas as informações novas). Contudo, as pessoas sempre começarão de onde estiverem, não de onde o coach quiser que elas estejam.

“Para onde desejam chegar” – Claro que todo mundo na organização não pode ir em qualquer direção desejada. O que as pessoas fazem tem de agregar valor à estratégia, e a estratégia define a direção na qual a organização necessita ir. Contudo, a menos que os funcionários optem por tomar uma decisão que se coadune com a estratégia organizacional, eles vão esperar e cumprir as diretivas que vêm de cima, meramente atendendo aos padrões mínimos de performance. 

A fim de alcançar os altos níveis de performance exigidos pelo ambiente competitivo da atualidade, necessitamos de pessoas que optem por empenhar seus esforços discricionários. Devemos ajudá-las a querer chegar onde necessitam chegar, e o coaching de sua velocidade nas decisões é um jeito de se conseguir isso.

Marshall Goldsmith em Coaching: o exercício da liderança, editora Campus, 2003.