Algo inerente ao tratamento dessas etapas é a redução da interferência. Pode-se ver como isso funciona a partir da obra do professor Mihaly Cziksentmihalyi (1975) sobre “a psicologia da experiência ótima”. Ele constatou que, se as pessoas percebem o desafio da tarefa na qual estão trabalhando como sendo maior do que o seu conjunto de aptidões, elas se sentem ameaçadas. O resultado disso é que ficam preocupadas e angustiadas.
Se elas percebem suas aptidões como sendo maiores do que o desafio, ficam entediadas (e se o tédio se prolongar em demasia, angustiadas). Em ambos os casos, se percebem qualquer deles como sendo maior do que o outro, elas passam a sofrer interferência. As pessoas produzem a sua “obra-prima” quando percebem que suas aptidões são suficientes para enfrentar o desafio da tarefa que estão em vias de executar, porém não mais do que suficientes. 

A tarefa necessita desafiá-las o suficiente para exigir o máximo de sua atenção, mas não ser tão desafiadora a ponto de ameaçá-las. Isso as coloca naquilo que Cziksentmihalyi chama de seu “estado de fluxo” – o estado ótimo para aprenderem uma nova aptidão ou utilizarem uma aptidão que já possuem. 

Uma “tarefa” importantíssima do processo decisório é pensar. É pensando que tomamos as decisões. Quando as pessoas tentam pensar sobre um problema que consideram de difícil resolução, ele representa um desafio que elas percebem como sendo maior do que sua habilidade de pensar sobre ele. Portanto, ao criar interferência, isso as retira de seu estado de fluxo. A focalização nas quatro etapas do modelo G.R.O.W. permite uma concentração no processo decisório através de seu desmembramento em etapas discretas menores. 

Essas etapas menores representam um desafio menor (em relação à sua habilidade) e, portanto, criam menos interferência, ajudando as pessoas a entrar em seu estado de fluxo para procederem à tomada de suas decisões. É muito mais fácil esclarecer cada uma das etapas do modelo no estado de fluxo, de modo que o processo decisório ocorre com maior rapidez – um aumento da velocidade nas decisões.

Marshall Goldsmith em Coaching: o exercício da liderança, editora Campus, 2003.

Sulivan França
Atual Presidente da Sociedade Latino Americana de Coaching, Sulivan França é Master Coach Trainer por meio da International Association of Coaching Institutes, possui licenciamento individual conferido pelo Behavioral Coaching Institute (BCI) e credenciamento individual junto a International Association of Coaching (IAC) além de Master Trainer por meio da International Association Of NLP Institutes.
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