Um outro jeito de aprofundar o entendimento e, assim, aumentar a consciência é fazer determinadas perguntas. Pra reforçar a ideia de intenção, sugiro que essa habilidade seja uma forma de permitir que o player progrida com base em seus próprios pensamentos e escolhas.

Trata-se do coaching não diretivo em sua melhor fase. Ao acompanhar o interesse, o player se torna mais concentrado, remove interferências e, assim, permite acesso total à sua inteligência, imaginação e intuição.  

Perguntas que esclarecem

As perguntas o que, quem, quando e onde são úteis para aumentar a consciência. E, depois, temos o como e o quanto. Note que não incluí por que. Vou voltar a isto em um instante. O que, ou melhor ainda, “o que é isso especificamente”, é útil quando alguém usa uma palavra com a qual você nunca teve contato. PLAYER: E então, sem falar com ninguém, eles tiraram todos os codais. COACH: O que é um codal especificamente? Na maior parte das reuniões, não é o fim do mundo não entender uma palavra em particular. Você só precisaria esperar um intervalo e perguntar a um colega de confiança.

Numa sessão de coaching, em que a diretiva principal é o entendimento, você simplesmente não pode se dar ao luxo de não entender o significado. “O que” também é útil quando o player usa uma palavra que você reconhece: PLAYER: Nessa empresa, não tenho nenhum reconhecimento. COACH: O que você quer dizer por reconhecimento? PLAYER: Alguns elogios de vez em quando. Perceba que todos os outros achavam que o salário era reconhecimento o suficiente. Quem é útil por duas razões. Em princípio, use-o quando alguém utilizar um pronome (ele, ela, eles, elas) e você não tiver certeza a quem a pessoa se refere. PLAYER: Ele disse a ela que deviam fazer tudo juntos. COACH: Deixe-me entender. Quem especificamente disso isso? E para quem? Quem exatamente são eles? E o que é que eles deviam fazer? Só não pergunte tudo de uma vez.

Depois, use-o para obter uma lista completa das qualidades que podem ter um impacto sobre o assunto da conversa: “Quem mais está envolvido?”, “Quem são os oturos membros da equipe?”. Onde e quando dão a posição e hora específicos. PLAYER: Estou completamente empacado nesse relatório. COACH: Onde exatamente você empacou? PLAYER: Bem, a parte principal dele está ótima, estou tendo dificuldades em tirar conclusões para o resumo. Nesse exemplo, uma preocupação é identificada como algo muito específico, e o coach pode prosseguir. PLAYER: Falarei com o Paul a seguir. COACH: Quando exatamente? PLAYER: Amanhã, antes do meio-dia.

Nesse exemplo, uma perda de compromisso poderia facilmente ser compreendida de forma equivocada (“logo” pode indicar alguns minutos ou algumas semanas) se torna um compromisso firme. O como pode ser muito útil. Está sempre conectado com verbos – palavras do “fazer”. Ele chega à informação de alta qualidade muito rapidamente. Aprendi isso de uma forma um pouco dolorosa, como mostra a história a seguir.

Charles foi meu primeiro mentor. Viajamos por todo o Reino Unido juntos durante um par de anos, fazendo workshops de coaching. Foi o meu período de aprendizagem. Havia, no entanto, um problema associado com todas essas viagens. Quando eu estava em viagem, uma nova rotina era estabelecida, de forma que meu retorno a atrapalhava também. Duplamente impopular. E na volta, eu normalmente estava exausto e incapaz de uma interação humana normal. Como Charles era mais velho e sábio que eu, perguntei-lhe se havia algo para superar esse problema. Charles me olhou e disse? “Sinead e eu fazemos um rebop.” “O que exatamente é isso?”, perguntei.

Charles estava entrando no trem e respondeu pela janela: “É uma atividade semierótica e simeterapêutica para dois adultos, com pleno consentimento”. Quando percebi que isso não havia me ajudado, já era tarde demais: o trem havia deixado a estação. Eu havia cometido um erro fundamental, havia feito a pergunta de o que (para substantivos) quando deveria ter feito uma pergunta de como. Quando me encontrei novamente com Charles, eu já descobrira isso: “Charles, como você faz aquilo, o rebop?”. Entretanto, Charles estava taciturno e me perguntou se eu era católico. Eu não era, mas havia sido criado como um. Por causa disso e do fato de que eu ainda não era casado com a minha atual esposa, Jô, Charles disse que não podia em sã consciência me dizer! Como eu já disse, a pergunta de “O que” se refere a substantivos, e a pergunta do “Como”, a verbos. Faça a pergunta correta e você obterá informação de alta qualidade, o que certamente contribuirá para o entendimento. Por exemplo: PLAYER: Preciso aprender a gerenciar melhor minha equipe.

COACH: Como você aprende?

PLAYER: Não tenho certeza. Gosto de observar os outros e ler um pouco.

E então gosto de tentar. O player basicamente definiu um plano de ação em resposta a uma pergunta simples. Quanto adiciona clareza e aumenta a consciência quando ao assunto em discussão é quantidade, tamanho ou escala.

PLAYER: Estamos quase certos de que não vamos atingir a meta orçamentária de vendas.

COACH: Por quanto?

Uma resposta como PLAYER: Por 3% apenas. é muito diferente de PLAYER: Acho que pode chegar a $200.000. Dependendo da escala do problema, o coaching pode seguir caminhos muito diferentes. Há uma outra versão da pergunta com “quanto” que tem intenção muito similar: aumentar a consciência.

PLAYER: Estou realmente preocupado com a nova estratégia que Bob apresentou ontem.

COACH: Quão preocupado, numa escala de 1 a 10?

PLAYER: Boa pergunta. Na verdade, só 3 ou 4.

COACH: Então, precisamos discutir isso agora? PLAYER: Não, é mais importante discutirmos a conferência. Se a resposta para a pergunta do “quanto” (no caso, a variação foi “quão”) tivesse sido 8, então, sem dúvida, o coach e o player conversariam sobre a nova estratégia de Bob. Excluí o “por que” da minha lista de perguntas e esclarecedoras.

O por que normalmente provoca razões, justificativas e desculpas, nenhuma das quais é útil para o aumento da consciência. “Por que “ não cria distância. Além disso, “por que” é uma pergunta pouco consistente. Pode ter tantos significados, de qual foi seu propósito, qual foi sua razão, a culpa, como no caso de “Mas por quê?!”. Então pergunte de forma mais específica: “Qual foi o propósito disso?” “Quais foram as razões por trás dessa decisão?” “O que torna isso tão importante para você?”

Myles Downey, em Coaching Eficaz, editora CENGAGE Learning, 3ª edição, 2010.