Uma forma de atravessar a confusão aparente sobre o coaching seria deixar que os fins definissem os meios, portanto, inicialmente devo fazer uma afirmação sobre esses fins e então sugerir como eles podem ser atingidos. Ao fazer isso, apresento a proposta de como deve ser um coaching eficaz.

Esse tipo de coaching no trabalho está relacionado à realização, satisfação e alegria das quais o indivíduo e a organização podem se beneficiar. Por realização, quero dizer chegar a resultados extraordinários, o alcance de objetivos pessoais e organizacionais, e a execução de estratégias, projetos e planos. Isso sugere eficiência, criatividade e inovação.

O coaching eficaz chega a realizações de forma sustentável. Por causa da ênfase no aprendizado e porque a confiança dos players é melhorada (“Eu consegui sozinho!”), o aprimoramento no desempenho é tipicamente sustentado por um período mais longo e terá impacto em áreas que não diretamente ligadas ao coaching. A realização inclui o aprendizado e o desenvolvimento.

Chegar ao resultado no negócio é uma coisa, atingí-lo de forma que o player aprenda e se desenvolva é parte de um processo que tem um valor maior – para o player, o gerente de linha ou o coach e para a organização, já que é a capacidade de aprendizado que assegura a sobrevivência de todos. Também incluo aqui a noção de que o trabalho pode ter significado; que, por meio do coaching, os indivíduos começam, a identificar aqueles objetivos intrinsecamente recompensadores. Com a satisfação vem o aumento da motivação.

O coach precisa respeitar o player, suas idéias e opiniões. O player, por sua vez, precisa fazer seu trabalho à sua maneira e perseguir, de forma responsável, seus próprios objetivos. Tudo isso torna um player inspirado e comprometido. Dessa forma, uma parte maior da energia, inteligência e imaginação de cada indivíduo será usada a serviço da organização.

E a alegria. Quando as pessoas estão atingindo seus objetivos, quando estes têm algum significado e quando o aprendizado e o desenvolvimento são parte do processo, a satisfação está assegurada. Satisfação, realização e alegria são componentes interligados, e a ausência de qualquer um deles vai ter impacto sobre os outros e desgastá-los. Aprendizado sem façanhas vai rapidamente acabar com a energia do indivíduo.

A façanha sem o aprendizado se torna enfadonha. A ausência de alegria desfaz o espírito humano. Há ainda um outro fator que não consigo encaixar muito bem nos três resultados do coaching eficaz, mas que está implícito em todos eles, que é a responsabilidade. Sem responsabilidade e um senso de propriedade, as organizações se tornam ineficazes rapidamente. O coaching afeta a responsabilidade direta e imediatamente. Se o gerente de linha ou coach vence um obstáculo ou decide o curso a ser tomado pelo player, então houve senso de propriedade e responsabilidade.

Se o player chegar a um obstáculo, ele voltará ao gerente de linha ou coach para ser guiado novamente. O coaching em que o player define seus próprios objetivos, resolve problemas por si ou desenvolve seus próprios planos faz com que a responsabilidade continue com o player. Tais fins – satisfação, realização e alegria – não podem ser atingidos por uma abordagem de coaching em que o gerente de linha ou coach instrui outros em função de sua perícia, seu conhecimento ou, pior ainda, seu status. Esta abordagem completamente diretiva reduz as oportunidades do player de pensar ou ser criativo, limita a sua possibilidade de assumir para si a responsabilidade e tira qualquer satisfação ou alegria de qualquer satisfação limitada que possa haver.

O coaching eficaz, como descrito aqui, requer uma abordagem predominantemente “não diretiva”, uma abordagem que evoca excelência, na qual o aprendizado é intrínseco e a satisfação deriva da busca e da realização de objetivos significativos. Isso é o que o coaching eficaz pode ser.

Myles Downey, em Coaching Eficaz, editora CENGAGE Learning, 3ª edição, 2010.