Como realmente definir o conjunto de competências que ajuda outros a se tornarem tudo o que poderiam ser? Eu sugeriria que fazê-lo de forma prematura seria um erro. Também tornaria mais difícil, em vez de mais fácil, ter sucesso no coaching. A única autoridade que pode certificar um coach é o indivíduo ou a equipe, que estão em melhor posição para saber o tipo de impacto que o coach teve em seu aprendizado, desempenho e satisfação no trabalho e em campo. Caberá ao cliente final decidir se o coaching valeu ou não a pena. Tal posição é consistente com a natureza do coaching, que, entre quase todas as formas de ajuda, tem sua raiz em capacitar o consulente. O coach é aquele que deve ajudar o cliente a acreditar em si mesmo – confiar em si mesmo – e não em algum agente externo. E se um coach pede para confiar nele, o único uso correto dessa confiança dada é devolvê-la em dobro para o cliente. A única autoridade de que um coach precisa é a autoridade de dizer para outra pessoa: “Confie em si mesmo”. O objetivo do coaching é estabelecer uma forte conexão com uma autoridade interior, que pode guiar a visão e incitar excelência e sabedoria aplicada sem estar sujeita a uma “ameaça interior”, que tenha estabelecido sua certificação por meio de agentes externos e que tenta impor-se a eles sem a sua autoridade para fazê-lo. Isso não quer dizer de modo algum que a nova profissão não exija um controle. Ela precisa ser controlada quando entra no campo de trabalho de outras disciplinas que requerem diploma. Coaching não é terapia. Terapeutas fazem terapia, e exige-se que estes tenham certas qualificações. O coaching não é consultoria e não deve entrar no domínio estabelecido de outra atividade profissional. Não se trata de aconselhamento religioso ou espiritual. Todas essas atividades podem ajudar pessoas, mas têm suas próprias regras. O coaching não pode “tomar” para si o amplo conceito de “ajudar outras pessoas”. Se ele tenta tornar-se terapia ou aconselhamento familiar, profissional, religioso ou espiritual, então torna responsável por seguir as regras estabelecidas nesses domínios. Até isso acontecer, por que não deixar que aqueles que crêem estar ajudando seus cliente estabeleçam por si mesmos, e por seus clientes, o que coaching é e, por contrato firmado, definam o modo de exercer sua profissão? Isso dará ao coaching uma chance de crescimento e de se tornar o que é e o que pode ser, sem se apressar para dominar a profissão por uma autoridade autodesignada. É responsabilidade do coach, ou do grupo de coaches e também dos gerentes de linha adotarem as habilidades-chave do coaching em seus trabalhos, entregar ao cliente uma descrição de suas habilidades e experiências, sua definição de coaching e os limites que observarão. Então, o cliente deve decidir o quão útil determinado coach pode ser e se deve ou não contratar o serviço. Escrevo isso porque Myles Downey tentou preservar a integridade do “coaching” como uma disciplina, ao mesmo tempo que esclarece sua especificidade no que chama de “Coaching Eficaz”. Ao fazer isso, ele resiste rigorosamente a tudo o que aumenta a autoridade do coach perante seu cliente individual ou equipe consulente. Seu ponto de vista é fiel ao espírito e ethos do coaching no seu sentido mais puro. Ele pode oferecer ricas recompensas para a pessoa ou equipe consulentes e ao coach ou gerente de linha que seguir seu estilo e suas crenças. Quando o coaching é eficaz, ele não requer autoridade alguma de terceiros. W. Timothy Gallwey Parte I   Myles Downey, em Coaching Eficaz, editora CENGAGE Learning, 3ª edição, 2010. Sulivan França Atual Presidente da Sociedade Latino Americana de Coaching, Sulivan França é Master Coach Trainer por meio da International Association of Coaching Institutes, possui licenciamento individual conferido pelo Behavioral Coaching Institute (BCI) e credenciamento individual junto a International Association of Coaching (IAC) além de Master Trainer por meio da International Association Of NLP Institutes. Siga-me no GOOGLE+