O excelente livro Dialectial Thinking, de Miachel Basseches, oferece um exemplo de mudança de “e se? completo” para “e, se?” no contexto dos relacionamentos. A abordagem do tipo “e se?” (operacional formal) tende a considerar as pessoas como permanentes, com características rígidas, enquanto o modo de pensar do tipo “e, se?” (dialético) é muito diferente.

Como diz Basseches, esta abordagem “deve partir do princípio de que minhas características não são fixas, e que o envolvimento que eu tiver com alguém vai moldar a nós dois”. Ele continua afirmando que, se for o caso, ambos os indivíduos “avaliam se o relacionamento evolui de modo a permitir que os dois se desenvolvam como pessoas”.

Ao atuar como coach, quando você assistir a uma transformação no contexto do relacionamento, deve sustentar a ideia de que as pessoas envolvidas tanto moldam o relacionamento como  são moldadas por ele. Isso pode levar o coachee a níveis mais elevados de realização, pois ele deixa de ser movido pelo ego e de obedecer a padrões rígidos. No pensamento “e se? completo”, se o indivíduo se considerasse “uma pessoa séria”, provavelmente evitaria unir-se a alguém “brincalhão”, percebendo aí um conflito com seu estilo.

No estágio “e, e se?”, porém, o coachee pode aproveitar seu lado “brincalhão” nas interações. Tal situação, como aponta Basseches, pode mudar drasticamente a perspectiva da pessoa que ele era – neste caso, “uma pessoa séria”. Indo um pouco além, podemos dizer que, com as mudanças no relacionamento, em vez das usuais respostas de culpa, acusação e ressentimento, o indivíduo que alcança esse nível pergunta: “Em resposta às alterações ocorridas, que mudanças precisa haver no relacionamento, de modo que ele continue?” Assim, os envolvidos não observam apenas as mudanças ocorridas neles mesmos por causa do desenvolvimento, mas também aquelas provocadas na relação. Esta é uma interação dinâmica de dois selfs dentro de um relacionamento dinâmico.

Martin Shervington, em Coaching Integral: além do desenvolvimento pessoal, editora Qualitymark, 2006.