A dúvida é se, na maioria das situações, basta tomar consciência, quando o indivíduo tenta resolver o problema sozinho. Ele pode reconhecer uma obsessão ou uma fobia, mas o mais provável é que não consiga fazer qualquer alteração. No entanto, como o Coaching Integral não é terapia convencional nem “conserto” do indivíduo, não é responsabilidade sua tentar resolver a situação, mas apoiar o crescimento e o desenvolvimento dele. Pode ser que você se preocupe pelo fato de que a neurose esteja prendendo o coachee nesse estágio, mas não é tarefa sua corrigir isso. O que você pode fazer é sugerir que o coachee procure um terapeuta, se assim o desejar, e, como diz Vaillant, “o usuário de defesas neuróticas é um pecador convicto que se confessa agradecido e, por isso, recebe a absolvição”. Outra ideia é indicar ao coachee material de leitura adequado. Em alguns casos, a intensificação da consciência consegue, por meio de conversas sobre o que está acontecendo, unir “ideia” e “sentimento”, mas exige considerável habilidade por parte do coach. Muitos coaches acreditam que material de leitura – uma espécie de “biblioterapia” – é de grande ajuda para que o coachee abandone comportamentos neuróticos; ao ler sobre sua condição e aplicar o que leu, além de conversar com o coach, ele consegue enxergar através de seus padrões de comportamento e superar com segurança a adaptação que havia empregado. Isso não quer dizer, porém, que o indivíduo não voltará a adotar defesas neuróticas, pelo contrário, ele pode identificar outras, mas deixar de trabalhá-las, se acreditar que não causam maiores problemas. Atenção: se o coachee se tornar um expert em neurose, mas nada fizer para superá-la, cabe uma sutil sugestão para que procure um terapeuta. Em Integral Psychology (Psicologia Integral), Wilber resume como a terapia funciona, e acredito que o Coaching Integral tenha o mesmo efeito, pois o coach atua como “catalisador”. Permite que a consciência encontre (ou reencontre) facetas de experiência previamente alienadas, mal-formadas, distorcidas ou ignoradas.” Wilber continua, afirmando que a cura é possível porque, “ao experimentar por inteiro essas facetas, a consciência reconhece  genuinamente esses elementos e, assim, livra-se deles”. Ainda utilizando a perspectiva de Wilber, este processo permite que o crescimento ou o desenvolvimento ocorra assim que ele consegue percebê-los “como objetos, diferenciando-os a um contexto mais amplo e benevolente”.

A vida boa

Acima de tudo, as defesas neuróticas podem negar ao indivíduo uma vida plena. Em vez disso, ele vive sentimentos contraditórios, obsessões e restrição da liberdade. A tentativa de controlar tudo isso, no caso da repressão, pode levar a problemas psicológicos ou emocionais. Tomado pela emoção, o indivíduo lança mão de sérias táticas internas (que mantêm a adaptação em um nível consciente ou inconsciente), para evitar “explodir”. Na “dissociação”, ele pode desligar-se completamente da questão (e não apenas da ideia); na “intelectualização”, pode ficar um tanto “frio”, já que o sentimento foi separado; e na “formação reativa”, pode negar desejos simples, que seriam tratados naturalmente, caso a defesa não fosse utilizada. Não costuma ser fácil abandonar tais defesas. Nós precisamos delas. Nossa realidade opera a um nível que precisa das defesas para nos manter inteiros. Sob a perspectiva do Coaching Integral, porém, o objetivo não é pesquisar o passado para entender quem somos. Uma visão do passado pode ser útil, mas segundo as pesquisas do Grant Study, o que molda nossa caráter são os relacionamentos que mantemos. A qualidade de vida daqueles que participaram do estudo era determinada pelo nível de adaptação empregado, qualquer que fosse sua história, inclusive infância e situação econômica. Ao observar as linhas de desenvolvimento que vimos anteriormente, combinadas às defesas apresentadas em diferentes níveis de consciência – os níveis neuróticos “e se?” e “e se? completo” -, percebemos que as pessoas mais desenvolvidas em várias linhas são mais equilibradas como indivíduos. Quando combinamos esses aspectos à atividade nos Quatro Quadrantes, começamos a enxergar como um indivíduo pode ter uma vida mais produtiva. Para aquele que se desenvolve por meio do pensamento “e se?”, o nível seguinte traz suas próprias adaptações à vida. O nível de pensamento “e, e se?” – visão lógica, usando as palavras de Wilber, dialético/operacional pós-formal – em defesas ainda mais saudáveis; e mesmo uma apreciação de que elas existem neste nível pode contribuir para despertar no indivíduo o interesse em trabalhar as defesas neuróticas. Isso talvez leve algum tempo, mas é por meio de relacionamentos de boa qualidade – com um coach, por exemplo – que o indivíduo pode esgotar a satisfação proporcionada pelo nível de defesa neurótica, avançando para um self superior. Martin Shervington, em Coaching Integral: além do desenvolvimento pessoal, editora Qualitymark, 2006. Sulivan França Atual Presidente da Sociedade Latino Americana de Coaching, Sulivan França é Master Coach Trainer por meio da International Association of Coaching Institutes, possui licenciamento individual conferido pelo Behavioral Coaching Institute (BCI) e credenciamento individual junto a International Association of Coaching (IAC) além de Master Trainer por meio da International Association Of NLP Institutes. Siga-me no GOOGLE+