Trabalhar em equipe é sempre melhor que trabalho sozinho. Não é verdade. Uma ampla variedade de fatores sociais conspira para debilitar a eficiência esperada de um trabalho colaborativo. Pesquisas sobre a eficiência de equipes sugerem que a colaboração limitada (quando cada um se desincumbe de suas atribuições segundo diretrizes claras) em geral resulta em melhores resultados do que tentar fazer com que todos trabalhem juntos. Como muitos outros organismos, as equipes estão sujeitas a doenças crônicas, como “encostar o corpo” (quando as pessoas fazem menos do que poderiam, supondo que os outros vão cobrir suas deficiências). Apesar disso, equipes bem administradas, empregadas nas circunstâncias adequadas e pelos propósitos certos, são o esteio de uma organização de alto desempenho.
O processo de coaching é responsabilidade do líder da equipe. Não é verdade. Para que o coaching funcione, toda a equipe precisa assumir a responsabilidade. Não há espectadores nesse processo. A administração do coaching pertence tanto ao coach quanto aos demais participantes do processo. 

O coach é o líder da equipe. Não necessariamente. O papel do líder da equipe é criar um ambiente em que aconteça o coaching, e também servir de exemplo de boa prática de coaching (tanto no papel de coach quanto no de participante) para os demais membros da equipe poderem seguir. Fazer coaching para os colegas é tão importante e muitas vezes ainda mais importante para o sucesso de uma equipe do que quando esse processo é aplicado por um líder da equipe ou por um profissional de fora.

Fazer coaching dentro da equipe é uma atividade ocasional. Não é verdadeiro quando esse processo se desenrola com máxima eficiência. Na realidade, quanto mais o coaching se torna integrado às atividades e aos processos do dia-a-dia, maior e mais duradouro será seu impacto sobre o desempenho.

O coaching de equipe é relativo ao desempenho nas tarefas. Verdadeiro em parte. Mas as melhoras sustentáveis no desempenho de tarefas resultam de uma eficaz administração de três aspectos com foco na equipe: realizar a tarefa; gerenciar uma aprendizagem relevante e contínua tanto no aspecto operacional quanto no aspecto contextual mais amplo; e administrar os comportamentos dentro da equipe e entre a equipe e outros envolvidos, não participantes diretamente do coaching. É a integração desses aspectos que fornece a base para as equipes que são bem-sucedidas no longo prazo.


David Clutterburck em  Coaching Eficaz: Como orientar sua equipe para potencializar resultados