Algumas equipes trabalham com afinco, divertem-se e concluem a tarefa. Outras são amargas e ineficazes, apesar do fato de todos os seus integrantes estarem trabalhando duas vezes mais que o normal. Por que é assim?

Há mais de um século, os cientistas do comportamento e outros estudiosos têm se mostrado fascinados pela natureza das equipes, e muitos dos mais famosos experimentos pela natureza das equipes, e muitos dos mais famosos experimentos sociais, como o projeto Hawthorne, por exemplo, têm-se proposto a elucidar os processos que tornam as equipes eficientes ou não. Do ponto de vista do coach, é uma parte importante do seu repertório de conhecimentos e habilidades compreender a dinâmica fundamental tanto das equipes em geral como daquelas em que ele ou seus coachees trabalham. 
Sendo assim, o que sabemos sobre equipes que possa ser proveitoso para um coach? Afim de responder a essa pergunta, precisamos primeiramente definir o que entendemos por “equipe”, pois essa entidade não é, de forma alguma, tão objetiva e óbvia quanto parece. Para tanto, é preciso rever os tópicos principais sobre estrutura, dinâmica e comportamento de equipes, destacados nas centenas de pesquisas realizadas nas últimas décadas, e entender como podem influir no papel do coach e em suas tarefas. Por fim, veremos brevemente como uma equipe evolui.
Comecemos pela definição.

O que é uma equipe?

Em muitos sentidos, é mais fácil descrever o que uma equipe não é do que falar sobre o que é. Em especial, equipe é, ao mesmo tempo, diferente de grupo e mais que isso. Os membros de um grupo podem não se considerar conscientemente vinculados. Por exemplo, um programa de mentoring direcionado à comunidade homossexual de uma grande empresa fracassou bem rápido quando gays e lésbicas deixaram claro que não queriam ser colocados juntos numa mesma classe. Os membros de um grupo atribuem prioridade mais alta a metas pessoais do que a metas grupais, e sentem-se livres para tomar iniciativas de cunho particular, sem levar em consideração as necessidades grupais ou o bem-estar coletivo.

Segundo o Novo Aurélio – o dicionário da Língua Português, uma definição para grupo é: “reunião de coisas que formam um todo; pequena associação ou reunião de pessoas ligadas para um fim comum”.

Uma conceituada definição acadêmica diz que os grupos de trabalho são “sistemas sociais intactos que realizam uma ou mais tarefas dentro do contexto de uma organização”.

Nesse sentido, não se fala de uma equipe de acionistas ou de uma equipe de adeptos de determinado hobby: partilhar um interesse comum e específico e empreender uma ação coletiva para alcançar um objetivo comum (por exemplo, derrubar o presidente da empresa, detestado pela maioria) pode exigir uma certa dose de colaboração e planejamento conjunto, porém isso não constitui a base de uma interação contínua de apoio mútuo.
A equipe introduz um ingrediente extra na natureza e na qualidade da interação entre os membros de um grupo. Uma das definições mais comumente citadas é a de Jon Katzenbach – especialista em desenvolvimento de equipes de alto desempenho -, um crítico contumaz da confusão feita entre equipe e grupo:

Equipe é um pequeno número de pessoas com habilidades complementares, que se comprometem com um propósito comum e com abordagem e metas de um dado desempenho, pelo qual se consideram mutuamente responsáveis.

Examinando os principais elementos dessa definição, um por vez, fica claro que a equipe tem um tamanho limitado. Quanto mais pessoas estiverem envolvidas, mais complexas serão interações e, por conseguinte, esse grupo (pois é um grupo) será menos capaz de funcionar. Os grupos podem coordenar grandes contingentes de pessoas, por exemplo, num desfile militar ou em uma “ola” de torcedores num estádio, mas a interação precisa ser relativamente simples. Varia de acordo com o contexto quem está dentro ou fora de uma equipe. Por exemplo, uma equipe de futebol pode ser interpretada de várias formas, como o conjunto de jogadores que está em campo num dado momento, ou como atletas e os demais que estão no banco, ou o time todo e mais a estrutura de apoio diretamente envolvida, com os treinadores, conselheiros, fisioterapeutas e outros especialistas ou, num âmbito ainda mais amplo, toda a equipe administrativa e o corpo de voluntários que cuidam das instalações e distribuem panfletos, quando é o caso. Quanto mais limitada é a definição, menor é a unidade e mais claramente as outras características da equipe podem ser percebidas.

As habilidades complementares são importantes porque favorecem a criação de mais valor quando são aproveitadas as diversas formas de talento e conhecimento.

O compromisso com um propósito comum enfatiza a exigência de uma noção comum de direção. Se um propósito comum, as prioridades e intenções individuais dominarão o que as pessoas fazem, e haverá pouca coordenação de esforços.

O compromisso com as mesmas metas de desempenho também é necessário para assegurar que todos compreendam da mesma maneira quais deverão ser os resultados de seu trabalho.

David Clutterburck em Coaching Eficaz: Como orientar sua equipe para potencializar resultados