O coaching na transição de CEOs traz consequências tanto para o CEO retirante como para o ingressante. Se possível, o CEO retirante deve deixar o cargo de maneira honrada e com dignidade. Isso pode ser difícil por causa da situação dos negócios, mas quando um CEO vai embora enraivecido, deixa uma sensação desagradável em toda a empresa. Por exemplo, recentemente uma importante empresa de computação cresceu sob a direção e orientação de seu fundador. Quando os negócios passaram a enfrentar uma série de momentos difíceis, o fundador foi mandado embora pelo conselho de administração.
Como o fundador não saiu facilmente nem de forma digna, a celeuma provocada pela sua saída ecoou através de toda a organização. Os funcionários que deviam as suas vidas profissionais e pessoas ao fundador não puderam dizer obrigado, transferir sua fidelidade ao novo regime, ou encarar as novas realidades empresariais. O novo CEO jamais conseguiu engajar as novas realidades empresariais. O novo CEO jamais conseguiu engajar os funcionários plenamente como fizera o fundador da empresa, o que por fim resultou na dissolução da empresa. 


Além disso, é necessário que os CEOs retirante transfiram o seu patrimônio de relacionamentos ao CEO ingressante. Um patrimônio de relacionamentos diz respeito à rede de contratos e alianças pessoais estabelecida pelo CEO atual. Tais relacionamentos podem ser definidos como os acionistas com quem o CEO estabeleceu relacionamentos, incluindo-se colegas (outros CEOs), o conselho de administração, os principais integrantes da equipe, todos os funcionários, clientes, fornecedores, órgãos normativos, investidores (detentores de ações e títulos), além de outras circunstâncias incomuns (parentes, por exemplo, numa empresa familidar). Durante seu mandato, os CEOs constroem um patrimônio de relacionamento com cada um desses stakeholders. É preciso que, através do coaching, o CEO retirante transfira esse patrimônio ao CEO ingressante.

O coaching presta-se duas finalidades para os CEOs ingressantes. Primeiro, é necessário que estes desenvolvam um ponto de vista sobre como vão interagir com cada um dos skateholders – uma teoria ou perspectiva sobre o que desejam de cada stakeholder e como vão trabalhar para atingir tais metas. O coaching ajuda o CEO ingressante a explorar alternativas, definir estados futuros desejáveis e estabelecer uma agenda para cada stakeholder.

Segundo, o coaching ajuda os CEOs ingressantes a explorarem comportamentos a fim de transmitir os seus pontos de vista. Um desafio crítico de todo novo líder é determinar onde despender o seu recurso mais precioso – o tempo. O tempo que o CEO ingressante passa com cada stakeholder, e com qual atividade, dará a tônica de seu mandato.
O coaching do CEO em vias de partir e daquele em vias de assumir o cargo, através desse período crítico de transição, permite que um final ocorra e um novo começo tenha lugar. O coaching ajuda a realizar essa transição, pois o coach pode ter percepções e observações imparciais do CEO retirante ou ingressante.

Marshall Goldsmith em Coaching: o exercício da liderança, editora Campus, 2003.