A confiança entre as pessoas requer comunicação, mas isso não significa necessariamente acordo. Você pode concordar ou discordar, mas se conseguir enxergar o ponto de vista da outra pessoa e expor o seu, você estará construindo um relacionamento baseado na confiança.

A honestidade envolve revelação e feedback. Você quer transmitir informações e quer que a outra pessoa saiba que pode agir da mesma forma. A honestidade é o firmamento essencial da confiança – e deve ser recíproca. A honestidade implica respostas que sejam tanto apoiadoras como desafiadoras. A honestidade exige que você dê feedback tanto positivo como negativo. É preciso que você esteja disposto também a ouvir a respeito de si mesmo. 

Ao revelar o que pensa e sente, deixando claro que quer o mesmo tipo de resposta de retorno, você cria uma atmosfera de honestidade. Seria a situação na qual nenhum dos dois precisa ficar na defensiva. A razão disso é o desacordo tornar-se um simples ponto de partida para seguir em frente e criar cada vez mais acordo. O desacordo, portanto, não é uma confrontação. É meramente um intercâmbio de informações. A fim de obter respostas úteis, é preciso tratar os outros com respeito. Assim, num clima progressista, vocês dois ignoram completamente a diferença de poder entre os seus papeis funcionais.

A desonestidade é destrutiva porque a evasão permite que os indivíduos permaneçam no purgatório entre a esperança e a tensão do desespero. Você não está fazendo nenhum favor a si mesmo – nem aos seus funcionários – quando a sua falta de honestidade os mantém num estado de incerteza e ansiedade. A honestidade traz os problemas às claras. Somente quando os problemas estão sobre a mesa, específicos e definíveis, é que podem ser equacionados e resolvidos.

Embora o aconselhamento nunca seja fácil, talvez você venha a apreciá-lo como uma das atividades mais significativas e satisfatórias da sua função de gerente. 

Marshall Goldsmith em Coaching: o exercício da liderança, editora Campus, 2003.