Abrangência e confusões sobre coaching

• “Coaching é para aqueles que falharam. ”

• “É uma prova do meu status (a empresa paga pelo meu coaching executivo). ”

• “Trata-se de uma profissão emergente. ”

• “É de competência dos gerentes de linha. ”

• “Não passa de moda. ”

• “O coach pode salvar o mundo. ”

• “É uma segunda carreira”? (gerente de Recursos Humanos prestes a se aposentar).

• “O coach... não é meu trabalho” (gerente de linha num workshop).

Coaching tem significados diferentes para pessoas diferentes, dependerá de quem sejam elas, daquilo que estejam fazendo e das experiências com coaching.

Um gerente de recursos humanos prestes a se aposentar e pensando em como ser produtivo na nova fase de sua vida terá uma visão bem distinta de um gerente de linha que trabalha em uma empresa de tecnologia da informação (TI) que foi obrigado a participar de um workshop de coaching. Na verdade, esse gerente de linha não pretendia estar nesse workshop, mas numa empresa de desenvolvimento de programas de computador.

Não há nenhuma definição genérica de coaching. De certa forma isso é bom, pois definições, enquanto esclarecem um assunto, também excluem outras possibilidades e fazem com que outras noções, que podem ter seu valor, sejam consideradas erradas.

Contato com o coaching através do esporte

Se digo a alguém que sou um coach, a pergunta é sempre a mesma: “De que esporte? ”.

Para a maioria das pessoas, o primeiro contato com o coaching se dá através dos esportes. Todos os tipos de coaching esportivo se constroem ao redor da ideia de que o coaching é essencialmente a transferência de conhecimentos.

O coach é o perito, que conhece as técnicas corretas e que vai lhe dizer como se desempenhar. Como esse modelo conhecimento/ou perito é o que predomina em nossos modelos educacionais, não surpreende que, no mundo do trabalho, as pessoas façam suposições de que o coaching funcione dentro dele.

Disciplinas da psicologia e da psicoterapia oferecem outras perspectivas sobre o coaching. Na verdade, de determinado ponto de vista, somente as pessoas com treinamento em uma dessas disciplinas teriam condições de ser coaches. A conclusão de tal argumento é que todos nós – devemos ser treinados como terapeutas - ou que paremos de falar uns com os outros.

Os tipos de coaching e suas aplicações

Isso acontece porque o coaching, de certo modo, acontece o tempo todo; toda vez que uma pessoa discute com outra sobre como agir é um coaching.

Há algo nessa primeira parte da “conclusão” que considero interessante e não nego que, em algumas ocasiões, não falar resolveria muitos problemas. Entretanto, é evidente que nenhuma dessas “soluções” é prática.

O silêncio pode ser de ouro, mas também muito maçante. O coaching acontece ao nosso redor – muitas vezes com bons resultados -, e o mundo não está cheio de terapeutas (apesar de, às vezes, parecer que sim).

Outras abordagens sobre coaching têm raízes no movimento pós-Maslow de autorrealização, tais como o de Tecnologia Transformacional e Investigação Apreciativa (Transformational Technology and Appreciative Enquiry), ou a mistura deles, como a Programação Neurolinguística (nesse caso, com psicologia).

Se você fizer uma pesquisa sobre o assunto, também encontrará a psicologia pop, a autoajuda, o pensamento positivo e as escolas religiosas. E não para por aí. Você pode encontrar o coaching executivo, o coaching de desenvolvimento e o coaching de desempenho.

Executivos seniores passam pelo coaching porque não têm tempo ou disposição para ir ao programa de treinamento adequado. Isso, é claro, se aplica aos que estão dispostos a admitir que têm algo a aprender.

Há também o coaching pessoal (life coaching). Embora existam coaches pessoais que trabalham de forma correta e responsável, há também aqueles que atuam como orientados psicológicos sem nenhum treinamento apropriado.

Posso acrescentar ainda o aconselhamento e o monitoramento. E o próprio treinamento contribui para essa confusão. A capacitação em coaching está disponível em quase todos os níveis e em quase todas as formas. Em um extremo, a pessoa pode se aperfeiçoar em um nível de mestrado e, no outro, optar por um programa de aprendizado a distância: alguns anos de estudo acadêmico ou algumas ligações telefônicas.

Outra abordagem para o coaching

Há ainda outra abordagem para o coaching. Os princípios que o fundamentam emergiram pela primeira vez como "O Jogo Interior" e foram desenvolvidos por mim e por outros profissionais, particularmente no Reino Unido, como coaching não diretivo (mon-directive coaching). Essa abordagem se distingue das outras porque não se baseia em conhecimento, experiência, sabedoria ou descobertas do coach, mas sim na capacidade de os indivíduos aprenderem, pensarem por si mesmos e serem criativos.

Basta pensar no aprendizado e na criatividade desperdiçados em organizações porque um gerente impõe sua própria solução sobre um colega, em vez de simplesmente perguntar o que ele pode fazer. Como você pode perceber, estou colocando o carro na frente dos bois.

Dadas todas as diferentes fontes, inspirações e aplicações diferentes, não é de estranhar que exista confusão. Parece-me uma forma de trazer clareza ao debate é apresentar a proposta do coaching eficaz.

coaching corre o risco de ser definido por filosofias, modelos e abordagens que seus defensores trazem consigo, e não por seu resultado: os resultados de que precisamos em nossos locais de trabalho.

Os coaches não são contratados por organizações, e não se espera que os gerentes de linha o usem com seus subordinados simplesmente por diversão. Espera-se que o coaching produza resultados – mensuráveis -, então que deixem que os fins ditem os meios, que os resultados exigidos do coaching ditem a abordagem do próprio coaching. No entanto, a maioria das organizações para as quais trabalhei teve uma expectativa limitada dos resultados que o coaching pode trazer. Por isso, minha sugestão refere-se ao que o coaching eficaz pode ser.

Antes de propor um coaching eficaz, preciso conceituar "O Jogo Interior". Entendo que corro o risco de cair em contradição e definir o coaching com base em uma abordagem. Entretanto, a intenção, não é essa. Para apresentar a minha proposta de forma clara, preciso que você veja de forma mais precisa qual pode ser o objetivo do coaching eficaz e entenda um pouco mais do que nós, como seres humanos, somos capazes de fazer. Não estou falando disso de uma forma ingênua e idealista. Estou falando de resultados.


Esse texto possui informações extraídas do livro "Coaching Eficaz" de Myles Downey, editora CENGAGE Learning, 3ª edição, 2010