Em nossa vida, o trabalho sempre foi uma via de mão dupla. Se por um lado ele é o direcionador, o responsável por fazer com que nos sintamos úteis, com o sentimento de pertença e reconhecimento, por outro, também, é o limitador de nossos sonhos e desejos de maior participação na família e lazer.

Em nome de uma sobrevivência digna, acabamos por dedicar maior parte de nossas vidas às organizações em que trabalhamos. E alí formamos nossa rede de relações e de sentimentos de vida. Porém, chega para todos nós o momento de nos desligarmos de tudo isso e de redirecionarmos nossas vidas a outros objetivos, sonhos e realidades. Neste momento, normalmente, nos sentimos perdidos e ameaçados de perder o “status quo” pelo qual lutamos uma vida inteira.

Os preconceitos e as crenças formadas são de que a aposentadoria é o momento de “pendurarmos a chuteira”, de vivermos sem nada a fazer, vestidos de pijama em frente à televisão, com o sentimento de “javali” (já vali alguma coisa). Felizmente, essas crenças vêm mudando e a aposentadoria começa a ser vista como o momento de ressignificar valores e crenças.

É na aposentadoria que temos a possibilidade de buscar a concretização de sonhos e desejos adormecidos pela necessidade de sobrevivência. É possível continuar a ser útil, construir uma pós-carreira, resgatar antigos projetos e construir uma nova rede de relacionamentos. Para tanto, a participação preventiva em Programas de Educação para a Aposentadoria é fundamental. É necessário buscar informações que favoreçam a adoção de práticas promotoras de saúde, da (re)construção de um projeto de vida, além de conhecer e refletir sobre perdas e ganhos e sobre a adoção de novos papéis e estratégias de enfrentamento dos aspectos negativos desta fase.

Portanto, o processo de prevenção é muito importante, visto que a aposentadoria nem sempre é vivenciada com otimismo pelos trabalhadores, quando não planejada adequadamente. Além disso, cabe também às organizações a responsabilidade social de promover programas de educação para esta fase da vida.

É importante salientar que três aspectos são os pilares para estes programas. Trabalhar a independência financeira, física e emocional, a descoberta de habilidades que permitam assumir uma nova ocupação que dê um novo significado à vida e a construção de uma, também nova, rede de relações que apoie e sustente a nossa necessidade de vínculos afetivos. Todo programa que tenha esta finalidade deve culminar na construção de um projeto de vida que dê direcionamento às nossas ações e sonhos. Nesse momento, o processo de Coaching de Carreira é de extrema relevância, auxiliando no estabelecimento de metas e nas estratégias para alcance dos resultados pretendidos. Tais fatores têm potencial para atenuar a magnitude da crise, protegendo o indivíduo das adversidades que poderão ser vivenciadas.

Outro questionamento muito usual é o de quando começar este processo. A maioria dos estudiosos do assunto é unânime em afirmar que a prevenção é a forma mais eficaz de chegarmos a este momento de mudança. Assim, quanto mais cedo iniciarmos a preparação para estes momentos, maiores as chances de uma transição com mais saúde e qualidade de vida.

Trabalhando com grupos de preparação para aposentadoria, infelizmente, temos percebido a dificuldade das pessoas em lidar com o assunto, deixando-o para o futuro. Verbalizações como: “Faltam muitos anos para eu me aposentar...”, “Não quero pensar nisso agora...” e até mesmo um sentimento de que “este assunto não me pertence” são comportamentos responsáveis pela manutenção de pessoas idosas com saúde debilitada, falta de dinheiro e de independência, sentimentos de inutilidade, ociosidade, isolamento social, conflitos conjugais, solidão, entre outros. São os indivíduos com este tipo de postura que normalmente vivenciam, após a aposentadoria, processos de depressão, adoção de vícios com drogas lícitas e ilícitas e, em casos extremos, cometem o suicídio.

A nossa visão é a de que o futuro começa agora e a sua preparação é a responsável pelo outro lado, o do sentimento de utilidade, da independência, da qualidade de vida e prazer de viver. Esperar que governo, família ou outras entidades direcionem nossas vidas nessa fase é errôneo e temeroso. O “quanto” e “como” iremos viver, pós-aposentadoria, dependerá da decisão de cada indivíduo em buscar o desenvolvimento de características que funcionem como fatores de proteção, que favoreçam uma boa adaptação à aposentadoria e diminuam as vulnerabilidades nesta etapa da vida.

Informamos que esse texto é de inteira responsabilidade da autora identificada abaixo.

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TERESINHA DANTAS CAIXETA

Master Coach

Graduada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Especialista em Gestão de Pessoas ´pela FGV. Professional Life Coach pela Sociedade Latino Americana de Coaching. Gestora de Avaliação de Excelência do Instituto Logos