“Na primeira noite em Auschwitz, dormi em beliches de três andares, e em cada andar (medindo mais ou menos 2 x 2,5 m) dormiam nove pessoas”. Essa frase é um trecho do maravilhoso livro “Em busca de sentido”, de Viktor Frankl.

A passagem prossegue da seguinte forma: “Naturalmente só podíamos nos deitar de lado, apertados e forçados um contra o outro, o que, por outro lado, face ao frio reinante no barracão sem calefação, não deixava de ter suas vantagens”.

Frankl é fundador da logoterapia. No livro, ele usou as experiências como prisioneiro em campo de concentração para fazer um paralelo entre aquela realidade e a teoria que defende. O autor explica que “a busca de sentido na vida da pessoa é a principal força motivadora”.

A palavra “logos” é de origem grega e significa sentido. A tendência dessa linha é olhar para o futuro e não para o passado, como ocorre com outras vertentes. O escritor cita Nietzsche: “Quem tem por que viver suporta quase qualquer como”.

Para mim, essa é a parte mais impactante do livro: “Nos campos de concentração nazistas, poder-se-ia ter testemunhado que aqueles que sabiam que havia uma tarefa esperando por eles tinham as maiores chances de sobreviver”. Simplesmente incrível!

Outro ponto que Frankl ressalta é a importância de darmos um sentido para as dificuldades que enfrentamos. Para ele, “a saúde mental está baseada em certo grau de tensão, tensão entre aquilo que já se alcançou e aquilo que ainda se deveria alcançar”.

Talvez seja por isso que algumas pessoas que ganham muito dinheiro de maneira repentina, por um motivo ou outro, simplesmente perdem tudo. Sem essa tensão a que o autor se refere, podemos entrar em um marasmo. Dessa forma, nosso potencial tende a se dissipar.

“O que o ser humano realmente precisa não é um estado livre de tensões, mas antes a busca e a luta por um objetivo que valha a pena, uma tarefa escolhida livremente”. Atenção: não se trata de uma apologia à falta de conforto. Longe disso. É preciso analisar bem a questão.

Um ganhador da loteria, por exemplo, poderia preencher o tempo com novos negócios, que gerem empregos e que tenham grande importância para diversas comunidades. Além disso, tem a capacidade de contribuir no combate a doenças e à miséria.

Para Frankl, o ser humano – seja prisioneiro ou milionário – necessita de “noodinâmica”. Trata-se “da dinâmica existencial num campo polarizado de tensão, onde um polo está representado por um sentido a ser realizado e o outro polo, pela pessoa que deve realizá-lo”.



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