A ilusão do iceberg

No final de semana tivemos vários times que se tornaram campeões estaduais pelo Brasil. Muitos deles têm em comum entre si técnicos de "pouco nome", considerados por todos como pessoas em "começo de carreira", iniciantes. Dentre eles, quero falar sobre Fábio Carille, técnico do Corinthians.

Quem o conhece, diz que humildade e trabalho são características fundamentais da sua personalidade. Todos sabem que ele não era a primeira opção. Nem a segunda. Na verdade, quando o clube anunciou sua efetivação, muitos torcedores torceram o nariz. E toda a imprensa não demorou em lançar sobre ele "o manto da incerteza".

Mas, ele continuou "levando sua vida", estudioso e paciente, crescendo sempre e a cada dia. Com humildade trabalhou. Buscou aprimorar o time. Melhorou a defesa. Fez crescer o ataque. Não perdeu clássicos. E montou um time com futebol consistente.

Resultado: foi campeão estadual no último final de semana.

Daí, num passe de mágica, quase que "milagrosamente", virou um gênio. Começou a ser procurado pela imprensa, sua opinião começou a ter peso e agora seu "estilo tático" é estudado.

Virou o cara!

Curioso isso. Como alguém pode aprender tanto, em tão pouco tempo? Brincadeira! Ele não aprendeu as coisas de uma hora para outra. Na verdade, essa é apenas uma ilusão que temos de certos profissionais do mercado. Sobretudo dos famosos.

Isso é chamado de A Ilusão do Iceberg.

O caso é que normalmente não vemos a parte dura da coisa. Frequentemente, procuramos não ver. Trabalho duro, disciplina, erros, dedicação, sacrifícios e persistência frequentemente ficam abaixo da superfície. Mas, são essas as coisas que levam ao sucesso. E quando o sucesso acontece... daí sim, todo mundo vê... e você vira gênio do dia para noite.

Isso é normal. Sempre foi assim. Provavelmente, sempre será. Apenas, por favor, não caia nesta ilusão. Isso é apenas um sonho. Para crescer você precisa se dedicar, errar, persistir e fazer sacrifícios. E, normalmente, precisa fazer isso por um bom tempo.

Depois de tudo isso. Depois de muito "plantar", chegará o momento de "colher". E então, você será considerado um gênio que aprendeu tudo de uma hora para outra. Mas, lá no fundo, assim como tenho certeza de que ocorre hoje com Fábio Carille, você (e talvez só você) vai lembrar do longo caminho que teve que percorrer.

Um passo de cada vez.

Sempre adiante.

Só isso te leva a algum lugar.



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