Tenho visto que muitos CVs estão aparecendo sem data de nascimento ou idade. Olhando a experiência, às vezes é possível deduzir que quem deixa de colocar este dado tem mais de 40 anos. Não sei de onde veio essa “tendência”, se foi uma dica de alguém ou um senso comum dos profissionais mais velhos esconderem a idade. Entendo perfeitamente, mais até do que profissionais de outras áreas, o quão cruel pode ser o mercado para as pessoas com mais idade. E quando falo “mais idade”, não falo da terceira idade (faixa em que encontramos grandes empresários, artistas e políticos, diga-se de passagem), falo de pessoas com 10, 15, 20 anos a menos. O que acontece, que o mercado agora só valoriza jovens?

Para mim, a principal razão, especialmente nestas duas últimas décadas, foi a tecnologia. Acho que não preciso dizer o quanto ficou comum o filho ensinar o pai, e a neta ensinar a avó. Isso refletiu imediatamente no mercado, já que as empresas introduzem (ou introduziam) tecnologia de ponta em seus negócios, antes que seus funcionários tivessem ouvido falar dela.

Porém, essa época dos “sem tecnologia” passou. Hoje, quase qualquer pessoa tem facebook no celular, seja da idade ou condição econômica que for. Uma pessoa entre 40 e 60 anos participou ativamente desta transição da vida sem celular para a vida com redes sociais e acontecimentos instantâneos. Mas parece que as empresas ainda não estão notando que estas capacidades não faltam.

O que vejo de mercado em relação à idade:

  • Extrema valorização de pessoas idosas bem sucedidas.
  • Extrema valorização de funcionários idosos e muito antigos na empresa, desde que detentores de conhecimentos cruciais para o andamento do negócio.
  • Extrema valorização de funcionários idosos novos na empresa desde que ocupantes de cargos de liderança com forte nome no mercado, ou desde que indicação.
  • Baixa valorização de funcionários mais velhos (ou acima de 40 anos) que não se enquadrem em nenhuma situação acima.

Felizmente, percebo que este quadro vem mudando. Noto uma elasticidade muito maior em relação à idade quando se abre uma vaga hoje, do que há 7 ou 10 anos atrás. Parece estar se iniciando um resgate à valorização da experiência profissional, que espero que ganhe força. 

De qualquer forma, se você é um candidato com mais de 40 anos, não esconda sua idade no curriculum. Mesmo sabendo que muitas vagas podem te descartar de cara por causa disso. Aliás, este é um erro comum: omitir a idade para ser chamado, na esperança de que o selecionador goste tanto do candidato a ponto de passá-lo para a próxima fase, fazendo com que este fator seja ignorado. Honestamente, nada é impossível, mas isso é muito, muito difícil mesmo de acontecer:

  • Se há uma faixa etária determinada para a função, o selecionador não pode enviar candidatos fora dela, ele tem que respeitar um mínimo de tolerância.
  • Mesmo que ele passe este candidato, o gestor não vai querer ver.
  • Mesmo que o selecionador o convença a entrevistar (e fazemos isso quando o candidato nos impressiona e está com algum requisito básico fora do perfil), o gestor acaba optando por outro candidato dentro da faixa que ele pediu inicialmente.

Colocar a idade ou data de nascimento do currículo é muito importante. Se houver esta (péssima) restrição na vaga, você economiza seu tempo. Se não houver, você será chamado. Estes “truques” para tentar convencer o selecionador pessoalmente não são eficazes quando trata-se de um fator limitante para a vaga em questão. E o selecionador tem uma responsabilidade ao enviar candidatos fora do perfil. Por isso, ainda que a maioria das vagas não ofereça transparência no anúncio, ofereça você transparência no seu currículo. Isso aumenta expressivamente suas chances de ser chamado para entrevistas que possam efetivamente se transformar em oportunidades concretas.