O turismo é um dos setores mais dinâmicos e que mais crescem no mundo, representando 10,7% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Com mais de 260 milhões de empregados e investimentos anuais de mais US$ 800 bilhões, aparece em posição de competição com alguns dos maiores e mais tradicional setores da economia mundial como a construção civil e a petroquímica. O turismo movimentou próximo a US$ 4 trilhões em 2003, ai incluídos gastos e investimentos, sendo que projeções de crescimento apontam para US$ 9,2 trilhões de faturamento até 2011.

Seu potencial de crescimento ainda é grande, especialmente nos segmentos de eventos e aventura. Segundo a Organização Mundial de Turismo (OMT), 808 milhões de desembarques foram alcançados em 2005 em todo o mundo. Isso significa que o turismo mundial cresceu 5,5% em relação ao ano anterior. O turismo na América do Norte cresceu 4%; no Caribe 5%; na África 10%; na Ásia e Pacífico, 7%; na Europa, 4,3%. Para 2020 a entidade acredita que 1,5 bilhões de pessoas gastarão cerca de US$ 2 trilhões por ano, ou cerca de US$ 5 bilhões por dia, não incluídos nesse total os investimentos em Equipamentos Turísticos (Hotéis, Resorts etc.).

1.1.1Panorama Brasileiro Atual
No ranking das maiores economias do setor turístico o Brasil se encontra na 18° posição em tamanho absoluto, na 137° em contribuição relativa para a economia nacional e no 127° lugar no crescimento de longo prazo (10 anos), segundo estimativas do World Travel & Tourism Council (WTTC), este sendo o Conselho Mundial de Viagens e Turismo. Porém, é de se ressaltar que o País ocupa a modesta 26º posição dos países mais visitados no ranking da Organização Mundial do Turismo. O setor turístico brasileiro foi estimado em R$158.5 bilhões (US$55.1 bilhões de dólares) de atividade econômica (Demanda Total) em 2005, crescendo em termos nominais para R$374,9 bilhões (US$93.84 bilhões) em 2015. A demanda do setor de viagem e turismo é esperada a crescer 5,1% em 2005 e 3,9% por ano, em termos reais, entre 2006 e 2015. A demanda total do Brasil em 2005 foi equivalente a 0.9% do market share global, coincidente, o mesmo número da participação do país do comércio internacional.

Felizmente, o ano de 2006, já parece contrariar as expectativas conservadoras. Segundo Banco Central foi da ordem de US$ 402 milhões a receita cambial gerada pelos turistas estrangeiros que visitaram o Brasil em janeiro de 2006. Foi a maior de todos os tempos em entrada mensal de divisas. O aumento foi de 11,16% em relação aos meses de agosto e dezembro de 2005, que registraram receita de US$ 360 milhões, a maior até então. Segundo o ministro Walfrido dos Mares Guia o turismo já é o terceiro produto de exportação na balança comercial brasileira, atrás somente da soja em grão e do minério de ferro.

É o resultado da implementação de uma ação maciça de promoção do Brasil no exterior, por meio do Instituto Brasileiro de Turismo (EMBRATUR), e da política desenvolvida pelo governo nos últimos dois anos e meio, juntamente com os órgãos públicos e privados do setor. Segundo a mesma fonte, o turismo no Brasil cresceu 18% em 2005, sendo que a média de crescimento mundial foi de 10%.

O Brasil recebeu em 2005, 5,4 milhões de turistas estrangeiros, sendo que 36,7% deles passaram pelo Rio de Janeiro, algo em torno de 1,9 milhão de visitantes, segundo a Rio Convention & Visitors Bureau. Dois pontos são fundamentais para se avaliar o crescimento do turismo brasileiro: os desembarques internacionais e a receita cambial, já que cada milhão a mais de desembarques internacionais representa a geração de 605 mil empregos diretos e 110 mil empregos indiretos. Estima-se que 52 setores da economia estejam diretamente ligados ao turismo e movimentam US$ 38 bilhões por ano, produzindo significativos impactos econômicos, ambientais e sócio culturais. O número é pequeno e poderia ser ampliado, no entanto, especialmente se constata que apenas 1,2% dos estadunidenses que embarcam para o exterior escolhem o Brasil como destino turístico. No Brasil, o turismo gera uma receita de R$ 37 bilhões na economia, o que equivale a 3,1% do PIB nacional, tendo superado setores convencionais da economia, como vestuário (2,7%), bebidas (1%) e é equivalente ao de automóveis (3%), além de gerar 2,9milhões de empregos diretos, indiretos e terceirizados, o que equivale a 12% dos empregos formais do país.

Os números mostrados pelo principal organismo internacional, contudo, mostram números maiores, e mais otimistas, colocando o setor de turismo brasileiro em uma posição ainda mais importante para a economia nacional. Os números atribuídos para a economia direta e indireta pelos estudiosos brasileiros seriam um pouco inferior aos dos principais órgãos do setor no mundo. Segundo a WTTO, a economia do turismo no Brasil gerou 5.827.720 empregos em 2005, o equivalente a 7,0% do emprego total, isto é um em 14,4 empregos. Em 2015, este número deve saltar para 7.261.140, ou seja, 7,2% do emprego total, ou um de cada 14,0 empregos. Os 2.474.980 de empregos gerados pela economia de 3,0% do emprego total, e previsões apontando para 2.975.410 de postos de trabalho em 2015, ou 2,9% do total. Tal aumento seria equivalente a um discreto crescimento de 1,9% ao ano nos próximos dez anos, o equivalente a 106° posição no ranking formado por 174 nações.

Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), as contratações no turismo aumentaram em 25% no ano de 2005. Estimativas do Ministério do Trabalho e Emprego revelam que, em 2005, a atividade econômica do turismo gerou 250 mil empregos, 19% a mais do que em 2004. Somente a rede hoteleira deve gerar 228 mil empregos de 2005 a 2008, quando diversos grupos investirão cerca de R$ 3,4 bilhões em empreendimentos no Brasil. A atividade é responsável por metade dos novos postos no setor de serviços em 2005 e 2006. Segundo pesquisa do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAged) divulgada em março de 2006 pelo Ministério do Trabalho e Emprego, as atividades ligadas ao turismo estão puxando a geração de empregos formais (com carteira assinada) no País.

A pesquisa mostrou que o emprego formal no Brasil cresceu 0,33% em janeiro na comparação com dezembro, com a abertura de 86.616 postos de trabalho, o que corresponde a um saldo de admissões de 1, 049 milhão e de 962.829 de demissões no período.

Com a geração de 40 mil vagas, o setor de serviços se destacou, sendo que turismo respondeu por metade desse montante, com 20.987 carteiras assinadas. De março de 2005 a março de 2006, o setor de serviços gerou 555 mil empregos formais no Brasil. Segundo a Associação Brasileira de Bacharéis em Turismo, em uma das principais agências do País, a Carlos Vicente Cerchiari (CVC), o número de empregados da metade de 2005 até março de 2006 dobrou. Já a TAM Linhas Aéreas registrou uma elevação de 15,4% no número de funcionários de 2004 para 2005, de 8,4 mil para 9,7 mil, com o objetivo de atender ao aumento de 44,7% no número de pessoas transportadas no período, que saltou de 13,5 milhões para 19,5 milhões. As receitas com venda de passagem tiveram uma elevação de 24,6%, passando de R$4,7 bilhões para R$5,9 bilhões, e a taxa média de ocupação dos vôos saltou de 66% para 70,6%, o que demonstraria que os brasileiros estão viajando mais e gerando empregos no setor. Outros destaques na geração de empregos foram: o setor de construção civil, com elevação de 1,82% sobre dezembro, e criação de 21.244 postos de trabalho – desempenho considerado recorde em toda série do Caged – e o de agronegócios, que gerou 7.953 vagas, o dobro dos postos abertos em janeiro de 2005 (96%).

Segundo a Pesquisa Anual de Conjuntura Econômica do Turismo, realizada pelo Ministério do Turismo em parceria com o Núcleo de Estudos Avançados em Turismo e Hotelaria da FGV, o turismo foi um dos segmentos econômicos que mais contribuíram pelo aumento de emprego em 2005. As 80 maiores empresas do setor, entre elas agências de viagens, transportadoras aéreas, locadoras de automóveis, meios de hospedagem, operadores de receptivo, operadoras de turismo e promotores de feiras e eventos aumentaram em 14,23% o número de pessoal, de acordo com a segunda edição da pesquisa, que é realizada anualmente.

A Pesquisa foi realizada com 748 empresas no inicio de 2006. Foram analisados os segmentos de restaurantes, receptivo, operadoras, eventos, agências de viagens, hotelaria e mais dois novos setores: transporte aéreo e administradores de parques temáticos e atrações turísticas. Juntas, as empresas pesquisadas faturaram R$ 25,5 bilhões em 2005, o que corresponde a 1,5% do PIB nacional. Com atividades em 26 estados, elas ofertaram 67.127 postos de trabalho em dezembro de 2005.

Para 2006, declararam a intenção de aumentar seus quadros em mais 3,5%, ou seja, gerando de 8 a 9 mil novos empregos no decorrer dos próximos anos.

Ainda segundo o WTTC acaba de apresentar em Berlim, durante a ITB, a pesquisa “Economic Impact of Travel & Tourism 2012”, onde revela previsões para 2012 e para os próximos 10 anos em termos globais. “Nós temos como foco aqui hoje falar deste ano que está em curso e da próxima década. O WTTC possui representantes de todos os setores, líderes da indústria do turismo, além de parcerias com entidades como a IATA, Pata, Clia, OMT e Fórum Econômico Mundial”, disse o presidente e CEO do WTTC, David Scowsill, durante a abertura.

O Brasil, segundo afirmou David Scowsill, presidente executivo do WTTC, vai liderar o crescimento do turismo na América Latina em termos de PIB. A região como um todo crescerá 5,6% e o Brasil 7,8% neste ano. A demanda doméstica será um dos destaques, alcançando a marca de 6,8% de incremento na América Latina, o que, de acordo com David, mostra a importância da conectividade regional. A quantidade de empregos gerados somente no Brasil na área do turismo será 7,1% maior em 2012.

Estima-se que a indústria de turismo no Brasil tenha entre 2013 e 2022 um aumento na participação do PIB de 5% ao ano. Nesse mesmo período, a elevação no número de empregos criados será de 2,5% ao ano. Hoje também foram apresentados os dados de 2011. No último ano, o impacto direto do setor de turismo no PIB brasileiro foi de US$ 78, 502 bilhões e de forma indireta US$ 212, 855 bilhões.

Visão Global 2011 – Em 2011 a indústria do turismo cresceu 3% ao longo do ano. A contribuição direta no PIB foi de US$ 2 trilhões, gerando 98 milhões de empregos. “Esse foi um resultado que não podemos considerar ruim”, afirmou David. De forma indireta, o impacto foi de US$ 6,3 trilhões e 255 milhões de empregos.

Visão Global 2012 – Para 2012, o crescimento previsto para a indústria de turismo é de 2,8% e a criação de 2,3 milhões de empregos diretos e 5,2 milhões indiretos.
Visão Global da década – Até 2022 estima-se um crescimento da indústria de viagens e turismo mundial de 4,2% ao ano e a criação de 120 milhões de empregos diretos e 328 milhões indiretos, ou seja, um em cada 10 empregos seria da área de turismo.

A China e a Índia foram países que ganharam destaque na conferência desta manhã. São esses dois países que vão impulsionar o setor de viagens e turismo nos próximos anos. “Países emergentes tem fundamental papel no futuro do setor, pois essas pessoas continuarão viajando”.

O que é turismo, então?

De uma maneira muito geral, “Turismo” se refere ao movimento de pessoas, dentro ou fora das fronteiras de seu próprio país, em busca de lazer, repouso, conhecimento, saúde ou a negócio (SENAC, 2002). Seu precursor foi Thomas Cook, que, em 1841, durante um congresso de abstêmios na Inglaterra, percebeu o quanto se economizava em transporte e hospedagem em viagens coletivas. Logo fundou a primeira agência de turismo denominada Cook, a qual inspirou a criação de tantas outras concorrentes. Vejamos alguns conceitos então:

Segundo o austríaco Hermann Von Schullern Zu Schattenhofen, um dos primeiros definidores, o definiu da seguinte maneira:
“É o conceito que compreende todos os processos, especialmente os econômicos, que se manifestam na chegada, na permanência, e na saída do turista de um determinado município, pais ou estado”. (HERMANN VON SCHULLERN, 1911).

Vemos como era distante a visão do que se tem como definição de turismo, aqui o austríaco o define como um mecanismo gerador de renda quando da utilização da cadeia produtiva do trade, sem se que haja uma definição quanto à permanência do turista, onde que a atividade era vista nesse caso meramente no âmbito econômico.
Segundo:

“Movimento temporário para destino fora das residências locais de trabalho normais, as atividades efetuadas durante esta permanência e as facilidades criadas para atender as necessidades do turista.” (COOPER 2001, p.14)

Nessa definição começamos a ver que além de uma visão puramente econômica, o turismo abre o leque de suas faces, entendido aqui como uma atividade de supra as necessidades sociais e humanas do lazer e que para isso é preciso que haja um descolamento ou movimento temporário para um determinado destino. Vale ressaltar aqui a preocupação que o autor teve em separar os espaços bem especificados em “locais fora de sua residência” e “de trabalho normais” essa ultima talvez o autor tenha sinalizado um dos muito segmentos de turismo, esse denominado turismo de negócio, tanto discutido e tão largamente debatido.
Segundo Beni (2003, p.27):

“É o estudo do homem longe de seu local de residência, da indústria que satisfaz suas necessidades, e dos impactos que ambos, ele e a indústria, geram sobre os ambientes físicos, econômicos e socioculturais da área receptora”. (BENI, 1998).

Aqui se tem a nítida preocupação quanto à necessidade de se haver um olhar minucioso em relação ao turismo, uma vez que dessa definição vê-se a metamorfose econômica, social e paisagística que ocorre quando da existência da atividade turística em determinado local. O turismo como indústria, um verdadeiro conglomerado de processos, fazes sistematicamente postos a satisfação da necessidade da demanda emissiva à área receptora. Contudo atentamos que em matéria de turismo não há de forma nenhuma um nível zero de impacto, ele sempre aparecerá até como termômetro e norteador para a oferta turística, levando-se em consideração a segmentação de cada nicho.

Ainda temos:
“O turismo inclui tanto o deslocamento a as atividades realizadas pelas pessoas durante suas viagens e estadas bem como, as relações que surgem entre eles, em lugares distintos de seu ambiente natural, por um período de tempo consecutivo inferior a um ano e mínimo de 24 horas (pernoite no destino), principalmente com fins de lazer, negócios e outros.”
(OMT, 2003)

A Organização Mundial do Turismo em sua definição e a exemplo do universo de definições acerca do turismo, consegue sintetizar de forma a abranger a essência de outras definições como podemos observar e nesse contexto e a partir dos autores aqui evocados construírem uma definição do turismo, sendo esta:

Turismo é o acontecimento humano e social que leva um individuo sozinho ou acompanhado denominado turista(s) se deslocar mediante um determinado custo, de seu cotidiano por necessidades espirituais, sociais, culturais, de descanso, dentre outras necessidades humanas, em busca de vivências e práticas de natureza exótica quanto à história, cultura e lazer da localidade visitada proporcionando uma experiência interpessoal entre pessoas, dentro de um espaço de tempo de no mínimo vinte e quatro horas.

1.2 ESTRUTURAÇÃO DO TURISMO
Sobre sua estruturação, Beni (1997), afirma que para o desenvolvimento da atividade de Turismo, é necessário que as unidades produtivas de bens e serviços turísticos combinem adequadamente os fatores de produção e que também sua função de produção seja otimizada, pois esta determina o volume da oferta, a qual tem conotação mais ampla que a simples produção de bens e serviços, pois abrange instalações e equipamentos. Os insumos básicos dessa produção denominam-se recursos e atrativos turísticos. O processo de turismo corresponde exatamente à estrutura de produção da atividade turística.

No Sistur os fatores de produção são combinados para resultar em uma unidade do produto turístico, que expressa no mercado como bens e serviços vendidos através de demanda diversificada.

O processo de turismo se desenvolve de maneira eficiente quando dispõe da infraestrutura de apoio, como transporte e comunicações, saneamento básico e ambiental, e serviços públicos.

É importante recordar que as unidades do produto turístico, diferentemente de qualquer outro bem produzido, têm caráter temporal e devem ser consumidas no momento em que se produzem. O produto turístico tem as seguintes características gerais: está baseado no fator tempo; é irrecuperável se não for usado; não pode ser acumulado; não pode ser transportado nem transferido; suam matéria-prima não se agrupa entre outras.



Informamos que esse texto é de inteira responsabilidade do autor identificado abaixo.

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Francisco Airton Bastos Silva Filho

Life Coach

Professional Coach, Analista Comportamental pela Sociedade Latino Americana de Coaching - SLAC, Professor Especialista em Docência para o Ensino Superior pelo Centro Universitário CESMAC, Turismólogo com bacharelado pela Faculdade Latino Americana de Educação - FLATED, Professor Especialista em Concursos nas áreas: História do Brasil e Informática, Comunicador, Pesquisador.