- Chefia, completa? – pergunta o solícito frentista.

- Pode completar. – responde o dono do carro.

Célere, o frentista introduz o bico injetor com a trava automática. Clec! É o aviso de que o tanque está cheio.

Quando o motorista acha que o processo terminou, começa a jornada do frentista para arredondar o valor que está na bomba. Começa o desafio: R$ 78,43; R$ 78, 97; R$ 79,31... O que motiva o nosso herói é chegar aos R$ 80,00! Mas, no último aperto do gatilho, o valor alcança...R$ 80,22.

O frentista se dá por rendido e diz desenxabido ao motorista:

- Pode pagar no caixa.

Sempre me perguntei porque quase todo o frentista tem essa gana de completar o valor a cada carro que para para abastecer. Pode ser tédio pela falta de coisa diferente para fazer; pode ser uma aposta entre colegas; enfim.

Talvez a Gestalt nos ajude. Em termos gerais, essa corrente da psicologia diz que todos nós buscamos a pragnänz, uma boa forma orientada pelo princípio do fechamento. É isso que explica vermos uma forma geométrica definida em um pontilhado, ou um ursinho formado pelas nuvens de um céu azul.

Seja lá o que orienta o frentista a tentar arredondar o valor na bomba, a questão que se coloca é: Para quê? Qual é o sentido prático disso? Que resultado prático será alcançado como isso? Facilitar o troco? Em um país em que a maior parte das transações são feitas com o cartão?

Muito embora estejamos tratando do frentista, a verdade é que muitos de nós gastamos boa parte do nosso tempo em “arredondar o valor na bomba.” Quem de nós não tem alguma mania de deixar uma coisa extremamente arrumada em seu estrito lugar, como empilhar papéis umas vinte vezes antes de colocar em um arquivo? Ou, como nos tempos da minha vó, ariar uma panela até se veja o seu reflexo nela? (Para quem não sabe, ariar panela significa esfregá-la com esponja de aço e sabão, até que ela fique brilhante).

Vale atentar para quanto do seu tempo está sendo consumido por esse tipo de meta. É a meta que você tem um esmero danado para completar, mas cujo resultado quando alcançado é no mínimo questionável, quando não, completamente inútil.

Aprendi uma frase há algum tempo que fez toda a diferença para mim: Antes feito do que perfeito! Ora, se o que importa é a meta principal seja alcançada, qual o sentido em ariar panelas ou arredondar valores nas bombas? Se o objetivo era somente deixar a panela limpa ou encher o tanque de gasolina, qualquer ato além do necessário é desperdício de tempo.

Vale lembrar aqui uma história de um certo vendedor que escrevia em mau português:

E você? Qual é a sua bomba? Qual é a sua panela?

Não perca mais tempo! Veja agora mesmo que atitudes que você possui não estão lhe roubando seu precioso tempo para conseguir alcançar metas inúteis.

Pense nisso!

Até a próxima.


Transforme sonhos em realidade
Informamos que esse texto é de inteira responsabilidade do autor identificado abaixo.

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Dalton Jesus de Oliveira

Master Coach

Master Coach. Mestre em Filosofia do Direito e do Estado pela PUC/SP. Membro da Tutoria de Coaching Comissão do Jovem Advogado da OAB-SP (Triênio 2016/2018). Instrutor de Conciliação e Conciliador na Justiça Federal. www.daltonoliveira.com.br email: contato@daltonoliveira.com.br