O que você quer ser agora?

Não sei se foi a primeira vez que ouvi a pergunta, mas é a única - e muito marcante - memória que tenho dela: O que você quer ser quando crescer?

Não sei se foi a primeira vez que ouvi a pergunta, mas é a única - e muito marcante - memória que tenho dela: O que você quer ser quando crescer?

Algum adulto me perguntou, no alto dos meus provavelmente sete anos, aquela idade em que se começa a perguntar e querer entender o mundo. Alguns dias antes de ouvir a pergunta eu me lembro de ter ido a um prédio comercial no centro da cidade e descoberto uma nova profissão através de um senhor que trabalhava levando rapidamente pessoas importantes aonde tinham que estar, operando um painel complexo, muito simpático com todos à sua volta, especialmente os clientes engravatados que iam e vinham. Não era piloto de avião, talvez essa fosse a resposta que meu irmão daria a pergunta, caso ele já não quisesse ser jogador de futebol. Minha nova vocação tinha um nome pomposo e foi minha aposta de futuro naquele momento. Respondi, cheia de ingênua certeza: ASCENSORISTA. Esperava reações admiradas dos adultos, aplausos quem sabe. Mas não, na sequência algum incrédulo ainda perguntou ‘Por quê?’ E eu não tive dúvida: porque ele pode passar o dia inteiro apertando todos os botões do elevador! Péeee, resposta errada.

Acho que aquela conversa acabou por aí mesmo e claro que depois deve ter ocorrido algum diálogo educativo envolvendo para quê se trabalha, como ganhar dinheiro através da sua profissão e como frequentar de cursos superiores e melhorar suas ambições profissionais. Eu cresci e tenho uma carreira, mas ainda olho com certa cumplicidade para os poucos ascensoristas que encontro trabalhando com alegria. E considero muita crueldade dos adultos que faziam essa pergunta naquela época em que a escolha profissional muitas vezes era única e ia te acompanhar para o resto da vida, definindo todo o resto dela e até substituindo seu sobrenome nos seus 5 minutos de fama. Afinal não seria muito ambicioso aparecer como ‘Maria, dona de casa, 55 anos’ quando chegasse a sua vez de aparecer na mídia. Coincidência ou não, também nunca vi nenhum ascensorista dando entrevista na TV.

Antigamente, vamos falar a verdade, as respostas esperadas para a fatídica pergunte eram: médico, advogado, engenheiro, bombeiro e policial para os meninos; professora, enfermeira, veterinária, atriz ou apresentadora de TV para s meninas. Se uma pequena sonhadora quisesse ir para o mundo dos negócios, a escolha era óbvia: secretária! Ok, não sou tão velha assim e posso estar exagerando, mas qualquer resposta diferente dessas era muito mais motivo de curiosidade e piada do que levada a sério.

O que importa é que as carreiras eram definidas, estáticas, especializadas e tinham uma relação direta com seus dons, talentos, valores e jeito de ser. Caso você não se identificasse prontamente com nenhuma delas, era só fazer um teste vocacional e ele te dava a resposta mágica a qual você não tinha conseguido chegar sozinho. Não se tinha dúvida do que ia fazer depois, caso algo desse errado no meio do caminho ou se alguém resolvesse mudar de ideia. Quando isso acontecia era mais frequente pensar que o problema era da pessoa, que não tinha ‘dado certo’ pelos mais diversos fatores e agora estava destinada a ‘ir levando’ e ‘dando um jeito’ sem a chance de escolher a carreira novamente.

Mas muitos anos se passaram e o mercado de trabalho vem mudando. Hoje em dia talvez essa pergunta não seja tão tenebrosa para as criancinhas, porque elas podem sonhar, mudar de ideia e têm muito mais flexibilidade do que naquela época. ‘As meninas agora podem ser o que quiserem’, até afirma recentemente a propaganda da Barbie. Atualmente temos muito mais opções de cursos, carreiras e ocupações. Os recrutadores não se apegam tanto ao número de empregos que constam no seu currículo, as ‘viradas de mesa’ são cada vez mais comuns, divulgadas e festejadas. São invenções atuais as carreiras transitórias, em espiral, em nuvem ou em “T”, para tentar representar essas melhorias e opções de caminhos que se pode seguir.

Temos enfim a possibilidade de Transição de Carreira e gente que trabalha orientando os profissionais nesse momento, como eu. Porque o que vejo nos meus clientes é que tanta possibilidade dificulta a escolha, faz com que as pessoas fiquem paralisadas diante de tantas opções. Que elas sonhem e tenham planos A, B, C e D, mas que fiquem mesmo no primeiro e não tirem os demais das nuvens. Porque lá no fundo ainda fica aquela dúvida da primeira escolha ter sido errada, aquele gostinho do não ter dado certo, aquela visão de ‘o que vão pensar de mim?’ Talvez as novas gerações não venham com essas questões de fábrica, mas a minha e a dos meus clientes ainda passa por isso.

A solução para isso é mudar nossa forma de encarar a Carreira. Há diversos autores e teorias para isso, mas quase todos levam a um ponto comum: encarar o trabalho como parte de seu projeto de vida. Entender que há um projeto para cada fase da vida e que exatamente essas mudanças que fazem com que consigamos manter o entusiasmo, o desafio e o aprendizado, que mantém nossos cérebros funcionando bem e nossos planos futuros atualizados.

Então passamos a ter novas perguntas para ampliar nossas possibilidades e renovar nosso friozinho na barriga (ainda bem!):

- O que você quer ser quando se formar?

- O que você quer ser quando amadurecer?

- O que você quer ser quando se aposentar?

E aí, temos a pergunta mais importante (e minha preferida):

Então, o que você quer ser agora?



Informamos que esse texto é de inteira responsabilidade da autora identificada abaixo.

Thais Cunha Oliveira e Silva

Thais Cunha Oliveira e Silva

Master Coach

Thais Silva é membro da Sociedade Latino Americana de Coaching, com certificação Internacional em Analise Comportamental DISC. Especialista em gestão de pessoas na TOTVS Consulting São Paulo, possui MBA em Gestão Executiva pelo IBMEC e é psicóloga pela PUC-SP.

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