Amor: a pedra em nosso caminho

Durante a análise global da vida em coaching, os clientes frequentemente se deparam com situações mal resolvidas no campo das relações amorosas o que acaba prejudicando outras áreas da vida. Mas como entender melhor o amor para que não se transforme numa pedra em nosso caminho?

A busca por alguém que nos complete, o desejo de formar uma família com alguém, desentendimentos, incompatibilidades, términos de relações. Estes e outros motivos tornam o amor um assunto recorrente em sessões de coaching, por vezes, dificultando o avanço do cliente em relação às suas metas.

Eis três tópicos baseados na psicanálise, na filosofia e no coaching que podem apoiar você:

O que é o Amor?
Segundo o Wikipédia “amor é uma emoção ou sentimento que leva uma pessoa a desejar o bem a outra pessoa ou a uma coisa.” Mas a análise deste sentimento nos humanos pode ser bem mais complexa que isso.

Segundo Charles Darwin, responsável pela teoria da evolução e seleção natural, “Todos os seres sensíveis se desenvolveram pela seleção natural de maneira que as sensações agradáveis lhe servissem de guia, especialmente o prazer gerado pela sociabilidade e pelo amor familiar”. O amor constitui nosso “diferencial competitivo” na natureza. E assim mesmo, para o que queremos entender, a esta definição parece faltar algo, já que não amamos, da mesma maneira, um namorado ou namorada, nossos pais ou uma pessoa que ajudamos sem esperar nada em troca.

É aí que entram alguns conceitos da psicanálise abordados no livro “Amor, Metáfora Eterna” do Prof. Claudio César Montoto. Segundo o conceito filosófico-psicanalítico, o amor se divide em três:
· Amor de Eros (amor de paixão);
· Amor de Philia (amor de amizade); e
· Amor de Ágape (amor de caridade normalmente cunhado pela igreja católica).

Tratam-se de coisas diferentes e o amor como assunto que se apresenta como pedra no caminho de algumas pessoas em busca de objetivos é normalmente o amor de Eros. E é dele que vamos tratar.

Por que nos Apaixonamos?

A consciência de que o amor de Eros tem relação com a paixão e esta com biotipo e personalidade do parceiro já pode ser um grande apoio para entendermos porque nos apaixonamos e amamos. Ainda sob a conceituação psicanalítica, o amor se dá dentro da ordem narcísica, o que tem pouco ou nada a ver com o conceito popular de narcisismo. Isto significa que buscamos no outro, de maneira geral, um reflexo de nós mesmos, do que fomos, do que queremos ser ou do que seria parte de nós ou de nossa história.

O encontro de alguém que complete o que buscamos em termos estéticos e de personalidade aumentaria as chances de o consideramos como “a nossa cara metade”. Esta expressão, aliás, confirma a teoria psicanalítica de que queremos a reunião com alguém para nos tornar completos ou inteiros, o que, do ponto de vista biológico e racional, é uma ilusão, já que o indivíduo possui apenas um corpo e uma mente, até onde se sabe.

Esta necessidade de nos unir a alguém para sermos completos, porém, pode ter causas inconscientes que remetem a algo que nos falta desde tempos remotos. Um perfume, uma maneira de olhar, um jeito de ser, um gesto, um tom de voz entre outros podem acionar estas memórias remotas e não conscientes sobre a sensação de completude e fazer com que automaticamente acreditemos que o outro seja o parceiro ideal. Acontece aí o início de uma paixão. E isto explica porque às vezes nos apaixonamos por alguém que pode ser a pessoa errada.

Por que lidar com o amor pode ser tão difícil?

Existem vários motivos, e não existe resposta simples para a pergunta. O assunto amor é um dos mais abordados pelos especialistas em Semiótica Psicanalista da PUC São Paulo, por exemplo.

Segundo solucionou o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, há duas estratégias para lidar com o amor. Uma delas é a fixação, em que há a tendência para a fidelidade e responsabilidade entre as partes. Outra se dá pela flutuação, em que as partes tendem a serem livres. A questão é que a primeira delas costuma resultar em tédio. A paixão como locomotiva propulsora do amor erótico tem, normalmente, prazo de validade que, na maioria dos casos, varia de dois a três anos.

A segunda delas costuma gerar angústia, já que não se conquista alguém que preencha o lugar do amor de completude idealizado, completude esta, que a psicanálise observa no momento em que o bebê está unido à sua mãe acreditando ser ele e a mãe um só ser. Ou seja, em ambas as estratégias o amor de Eros está potencialmente fadado a lidar com sentimentos negativos.

Além disto, os fatores que nos fazem apaixonar são, muitas vezes, senão todas, resultado do desconhecimento acerca do outro. Raramente nos apaixonamos pelo que o outro realmente é em sua totalidade, mas por aquilo que acreditamos que ele seja. Com o passar do tempo, os “defeitos” e ou incompatibilidades começam a aparecer o que frustra expectativas ou desmotivam um ou ambos os parceiros. Cada pessoa tem uma formação psíquica e valores que podem confrontar diretamente com os do outro, que são, pelo menos em parte, diferentes. Ou seja, com o passar do tempo, conhecemos mais a pessoa, e é possível que o que nossas fantasias sobre o que ela era de início deixem de existir e com isso nossa locomotiva para propulsão do amor deixe de funcionar como antes.

Por último, nem sempre as duas partes chegam ao mesmo lugar juntas. Enquanto um percebe que os sentimentos não são mais os mesmos, o outro pode estar numa escalada de paixão. O término da relação se torna provável e com ele a frustração e a dor do luto.

Possíveis caminhos

Tampouco há soluções fáceis para as questões do coração. Mas há, definitivamente, possíveis caminhos de diversas correntes que facilitam lidar com o assunto.

Muitas vezes, para dar certo, a relação amorosa assemelha-se à religião ou à espiritualidade: É preciso ter fé. Você não tem controle sobre se o outro é exatamente quem você espera que seja ou como a relação será no futuro. A especulação se transforma numa paranoia que não faz bem a nenhuma relação. Há de se confiar até que se prove o contrário.

Não por acaso, a religião e a espiritualidade oferecem possíveis soluções para questões do amor. A união espiritual ou até mesmo jurídica contribuem para a solidificação da relação e acabam fazendo com que o casal pense duas vezes antes de romper no momento em que a paixão se abranda. A dupla passa a ter outras coisas para manter a união acesa como filhos, família, crença de que estão unidos para sempre e a substituição da paixão através do querer bem e querer estar perto. Esta solução, porém, tem se demonstrado decadente uma vez que as pessoas se casam cada vez menos e se separam cada vez mais.

Levando em consideração a filosofia budista, a Monja Coen, em uma de suas palestras diz “O amor fica em cada instante... em cada encontro, em cada respeito em cada ternura. O amor não se separa, o amor não é lento, pode ser muito rápido.” Com isto ela propõe que a expectativa do amor fique em cada instante real e não nas possibilidades futuras ou do que não se tem controle. O amor seria aqui e agora. É um exercício que contraria nosso mecanismo psíquico de querer que o outro seja eternamente como desejamos para nos completar. A monja ainda diz “Quem se apega [...] se suicida. [...] se ela não é feliz comigo e arranjou um novo companheiro, que seja feliz [...] a fila anda!” É uma prática de desapego do que não controlamos e de concentração no aqui e agora. É um exercício que, provavelmente, só tem resultado com constante prática.

Numa outra corrente filosófica com bastante aceitação, pregando liberdade para que o amor tenha sucesso, existe o místico Rajneesh Chandra Mohan Jain, conhecido como Osho que diz: "Quando a liberdade é deixada intacta, o amor cresce infinitamente". E aí vai outro exercício difícil: Manter a paixão acessa com o desapego da liberdade.

Além da fé e das filosofias orientais, existe uma alternativa que tem se mostrado eficaz para desviarmos das pedras e continuarmos nosso caminho em direção ao que desejamos. É o que propõe o coaching através do autoconhecimento. Quando conhecemos a nós mesmos aprendemos a ser mais tolerantes em relação às diferenças. Percebemos que não adianta culpar o outro por não ser exatamente aquilo que queremos que ele seja. Da mesma maneira que não adianta esperar do outro um comportamento que nós teríamos.

Entre as opções de fixação e flutuação propostas por Bauman, é importante estar consciente do que acontece conosco e com o outro. Com o tempo e à medida que conhecemos o parceiro, a paixão inicial deve mudar. O motivo principal do início do amor de Eros cai e toda aquela agitação romântico-apaixonada acaba. A tendência é que o desejo erótico, ou de se apaixonar migre para outra pessoa ou outra coisa, a não ser que ele seja sublimado, em outras palavras, sua energia usada mutuamente para atividades que estimulem a união do casal. Esportes, viagens, criações, arte, estudos podem ser um bom caminho. Mas isto só da certo se ambos quiserem.

Por outro lado, quando nos agrada mais a sensação da paixão, é importante termos em mente que ela tende a ser mais efêmera com se mantivermos o mesmo parceiro pessoa por tempo prolongado. As paixões têm prazo de validade e estaremos sempre a buscar um outro alguém que traga as mesmas sensações vibrantes. Apegamo-nos às sensações e não às pessoas, o que não é um problema desde que estejamos conscientes de que a perenidade da relação tornar-se-á difícil desta maneira. É importante aceitar os fatos respeitarmos a nós mesmo e ao outro.

Além disto, percebemos que é difícil controlar nossos sentimentos. Porém, mais difícil ainda é controlar o sentimento do outro. Se o outro não quer, nada pode ser feito em relação a isto. É um sinal de que temos de lidar com nossos próprios sentimentos. Este é o foco! O primeiro passo é passar pelo luto da perda. É natural. O importante é torná-lo mais tolerável. O segundo passo, é o que nós normalmente fazemos: voltamos a atenção para nós mesmos e nos fortalecemos. Quanto menos desconfortável e mais consciente tornamos o processo de luto, mais rápido chegamos a esta etapa!

A boa notícia é que se você leu este texto com atenção, embora haja diversos fatores que influenciam as relações amorosas, boa parte do que a psicanálise e algumas filosofias têm a dizer a respeito do assunto foram pinceladas aqui. Elas provocarão em você reflexão e aprofundamento no assunto. Ou seja, talvez você já tenha começado a entender melhor o que pode estar acontecendo na sua relação ou na relação de pessoas que você conhece, o que já constitui um grande passo para tirar as pedras do seu caminho, resolver suas questões amorosas e ter mais disposição para o alcance de seus objetivos!



Informamos que esse texto é de inteira responsabilidade do autor identificado abaixo.

Rodrigo Solano

Rodrigo Solano

Life Coach

Bacharel em Administração com ênfase em Comércio Exterior, Latu Sensu em Marketing Internacional com MBA executivo. Atua no fomento da internacionalização de operações para organismos brasileiros e estrangeiros. Palestrante especialista em diversidade cultural. Coaching para quem busca ampliar a percepção da realidade e atingir suas metas. www.thinkglobal.com.br

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