A paranoia do ineditismo

De repente, por algum motivo, passamos a considerar que todo produto cultural que faz sucesso é popular e, portanto, de baixa qualidade. Há livros excelentes que figuram na lista dos mais vendidos. Ouço as músicas que gosto e não me importo se vendem ou não.

Laurentino Gomes escreveu livros de sucesso sobre a história do Brasil. Em uma entrevista para o programa Roda Viva, da TV Cultura, ele relatou uma conversa que teve com outra autora, que teria dito: "Não sou como você, que vende".

De repente, por algum motivo, passamos a considerar que todo produto cultural que faz sucesso é popular e, portanto, de baixa qualidade. Há livros excelentes que figuram na lista dos mais vendidos. Ouço as músicas que gosto e não me importo se vendem ou não.

A resposta de Gomes foi tão óbvia quanto definitiva: "Prefiro vender". Agora, vou me vacinar: é claro que tem muita porcaria por aí que fatura horrores. E ninguém está impedido de criticar algo que conquistou o gosto das pessoas.

O que me preocupa é acharmos que "popular" é sinônimo de "baixa qualidade". Não é. Tem muito material excelente que não se transforma em renda porque algumas regras básicas do mundo corporativo não foram respeitadas.

Por falar em popular, tem uma questão relacionada a isso que chamo de paranoia do ineditismo. Bem intencionado, o indivíduo pensa que sempre tem que ser o primeiro a abordar um assunto, a lançar uma tese, a fazer parte de alguma comunidade.

Conheço pessoas que deixam de participar de determinadas redes sociais assim que estes serviços se tornam conhecidos. E isso de maneira quase que automática. Se aquilo nos preenche, se gostamos, por que abandonar?

Deixar de fazer algo só porque alguém já realizou também é um problema sério. Policiar-se o tempo todo por causa disso pode mostrar para a sociedade uma pessoa que você não é. E penso que nossa essência precisa estar em tudo o que criamos.

É bom, sim, inovar. Só me incomodo com quem tenta ser inédito o tempo todo. Há quem deixe de colocar em prática projetos maravilhosos em função desta paranoia. O indivíduo fica em busca da ideia perfeita (e exclusiva, de preferência).

Esses são exemplos de crenças que podem atrapalhar o caminho de quem tenta atingir uma meta. Isso pode ser trabalhado dentro do processo de coaching. Chega uma hora que a pessoa tem que escolher entre a crença e a meta.

Informamos que esse texto é de inteira responsabilidade do autor do post identificado abaixo.

KHALED SALAMA

KHALED SALAMA

Master Coach

Khaled Salama é jornalista, executivo, palestrante e coach. Escreve semanalmente sobre mundo corporativo para diversos veículos de comunicação. As palestras são nas áreas de atendimento ao cliente, trabalho em equipe, liderança e motivação. Para a trajetória completa e mais informações, acesse o site: www.khaledsalama.com.br.

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