Programa Acertar é Humano (29/05/2014)

Nélson Sartori e Sulivan França

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♪ [tema acertar é humano] ♪

Começa agora na Mundial Acertar é Humano, um programa que apresenta crônicas com humor e foco na solução, sempre falando de temas diversos como empreendedorismo, liderança, esporte, atualidades, comunicação entre outros. Tudo isso seguindo a filosofia do coaching.

Programa Acertar é Humano, uma produção da Sociedade Latino-Americana de Coaching, a elite do coaching no Brasil. Apresentação Sulivan França e Nélson Sartori.

[NÉLSON] Bom dia, ouvintes. Aqui quem vos fala é o professor Nélson Sartori e hoje com missão de fazer o trabalho sem o Sulivan.

O nosso profissional coaching Sulivan França hoje está preso na cidade maravilhosa. Não pode comparecer aqui. Então essa é uma missão muito difícil. É quase impossível substituir o Sulivan, mas eu vou fazer um trabalho em cima desse novo contexto e é justamente sobre isso que nós vamos falar hoje, sobre contexto.

CONTEXTO

Contexto é o conjunto de circunstâncias da nossa vida que interferem e de repente acabam trabalhando elementos que são interpretados de maneira diferente pelas pessoas que estão ao nosso redor, no nosso convívio. Há coisas que acontecem em nossas vidas e que interferem diretamente em nosso trabalho, em nossa relação familiar e muitas vezes tudo é uma questão de observação do que está à nossa volta, ou seja, interpretar esse texto da nossa vida.

Dentro de uma das partes do meu universo de trabalho, que é a língua portuguesa, a interpretação de texto é a observação e a visão daquilo que envolve a produção de qualquer tipo de informação. Um autor quando produz um texto está submisso a todas as influências do seu exterior, ou seja, humor, relações históricas, relações políticas de um país.

Nós vivemos momentos bastante intensos, atualmente. Nós temos Copa do Mundo, eleições, uma série de fatores que irão trabalhar muito a nossa consciência todo esse tempo. Esses fatores vão sendo trabalhados de duas maneiras, ou seja, um contexto natural e o mais importante, que é aquele contexto imposto, aquele que muitas vezes nós nem percebemos que está sendo implantado no nosso dia a dia e está servindo as pessoas. Isso aconteceu durante toda a história do mundo, ou seja, as pessoas vão atribuindo valores às coisas e vão reagindo em função disso.

Antes de eu ficar aqui teorizando com vocês, vou materializar, já que o nosso trabalho é o de tornar material isso tudo, ou seja, com o trabalho do coaching nós promovemos a sua contextualização para que você se veja dentro desse mundo, se veja dentro da sua situação empresarial, da sua própria vida e possa tomar uma decisão, atitude, traçar sua meta, justamente avaliando aquilo que está à sua volta e tomando uma postura de ação.

Isso já aconteceu muitas vezes e eu vou buscar uma história antiga para poder mostrar o que é essa relação de contexto. É lógico que é uma ilustração, mas vamos aproveitar. Como as pessoas dizem: “Quando o gato sai de casa, os ratos fazem a festa”. Então hoje é meu dia de fazer a festa e eu vou dar bastante ênfase a essa questão da linguagem e da comunicação.

Eu vou pegar um exemplo para vocês de como o contexto influência em nossa vida desde que nós somos criancinhas. Vou passar para vocês um contexto básico que é aquele que acontece dentro de histórias infantis. Quais de nós não vivemos nossas vidas influenciados por histórias infantis. Nas histórias infantis que existem por aí a mais forte, que mais influenciou na vida das pessoas, foi a história da Chapeuzinho Vermelho. É uma história simples, pequeninha, básica. É a história de uma menininha que faz aniversário e ganha da mãe um chepeuzinho vermelho e uma responsabilidade, que é levar doces para a avó que está doente e mora no meio da floresta sozinha. A menina é aconselhada a ir pelo caminho mais longo, vai pelo mais curto porque lá tem o lobo mal e ela não deveria ir, mas ela vai, encontra o lobo, o lobo quer comer os doces, ela diz que não, foge para o caminho mais longo. O lobo vai para a casa da vovó, devora a velha, espera a menina, devora a menina também. A desgraça normal, porque ela grita, o caçador vem, abre a barriga do lobo depois que ele devora as duas, tira as duas vivas lá de dentro, enche a barriga de pedra. Moral da história, não deu ouvidos a mamãe e quase que se ferra e leva a vovó junto com ela.

Eu sou especialista nessa história. Tenho três filhos, contei muitas vezes essa história para eles. Mas a questão é que veja como se torna automática e muitas vezes nós não percebemos uma série de informações que estão ali presentes. Vamos analisar. Vou mostrar para vocês uma mostra do que é análise psicosemiológica dentro de um elemento de contexto. Vamos começar a perceber alguns fatores que são, por exemplo, a Chapeuzinho Vermelho. Qual a cor do chapeuzinho vermelho da Chapeuzinho Vermelho? Você vai me responder é vermelho. E é importante ser vermelho? Lógico que é, faz parte do título.

Então eu faço uma segunda pergunta. Chapeuzinho Vermelho usa um chapeuzinho vermelho? Aí você vai falar rapidamente, usa, mas você vai lembrar bem que ela não usa um chapeuzinho vermelho. Ela usa um capuz e uma capa. Agora por que nós chamamos de chapeuzinho vermelho? Vejam, capuz e capa, são roupas apropriadas para um ambiente mais úmido, o que acontece na Europa, onde a história surgiu há alguns séculos com os Irmãos Grimm, antes com Perrault, trabalhando esse tipo de contexto, depois com os Irmãos Grimm.

Dentro daquele universo inglês britânico, na própria Alemanha, você tem um clima úmido, de neblina, então as pessoas usam capa e capuz como é o que se vê com a menininha usando.

Quando chega aqui no Brasil, nós temos um clima tropical. Como é que eu vou falar para a criança que ela vai usar uma capa. Então eu vou contar para você a história da “Capuzinho Vermelho”. Aqui no Brasil quem usa capuz é assassino, então ela já vai querer confundir tudo. Não é capuz. Então vamos usar a capa pequena. Diminutivo de capa aqui no Brasil é capeta. Se eu contar a história da “Capetinha Vermelha” a criançada já não dorme à noite.

Nós fizemos uma adaptação contextual. Eu trago para o Brasil, para o nosso clima, um clima de sol, o que se usa para proteção? Um chapéu. Pronto. Chapeuzinho Vermelho. Então essa menina usa um chapeuzinho vermelho.

Agora eu vou somar todas essas informações. Vamos juntar toda a estrutura dessa história e vamos tentar fazer uma análise em cima desse contexto. Chapeuzinho Vermelho faz aniversário, ganha da mãe um chapéu, que não é um chapéu, porque é vermelho, que chega no aniversário dela junto a responsabilidade de levar os doces para a vovó. Em que momento da vida de uma menina, já que se trata de uma menina, a cor vermelha se apresenta de forma significativa representando uma mudança por completo nela, já que a capa cobre o corpo dela todo e traz a ela uma nova responsabilidade.

Se você for observar, normalmente nós imaginamos a Chapeuzinho Vermelho com uma criança de 6, 7, 8, 9, 10 aninhos. Mas se nós fossemos entender que essa cor vermelha representa na verdade a chegada da maturidade da menina, ou seja, o símbolo da menstruação, dela se tornando mulher, a idade dela seria um pouquinho maior.

Vamos continuando. Pare um pouquinho e pense na mãe. A mãe de Chapeuzinho Vermelho. Você teria coragem de deixar sua mãe sozinha no meio da floresta, onde vivem lobos e ao mesmo tempo ao invés de ir visita-la quando ela fica doente, você manda a sua filha. Vejam só. Sua mãe é velha, está doente, mora sozinha no meio da floresta, você ao invés de visitar, manda a sua filha e ao invés de mandar comida saudável você manda doce. O que você tem contra a sua mãe? Deve ter alguma coisa naquele território onde ela mora, talvez vão construir um shopping center e você quer dar cabo da mãe e da própria filha, porque é uma história bastante bizarra, se nós pensarmos nesse contexto.

Independente de qualquer coisa, o único conselho que a menina dá realmente de valor, que a mãe dá de valor para a menina, para que ela pegue o caminho mais longo e não o caminho mais curto, porque o caminho mais curto tem o Lobo Mau. A menina toma atitude contrária àquela que a mãe propôs. Isso não é uma atitude típica de uma menina de 8, 9, 10 anos e sim uma atitude de adolescente, que faz jus a primeira parte da análise, ou seja, essa menina desafia a mãe e vai justamente fazer o oposto do que ela está fazendo. Vejam que é um novo contexto na vida da menina.

O que a leva para esse caminho mais curto? Você pode falar que ela está com pressa, mas com pressa de que, de chegar a algum lugar? Ela está curiosa. Curiosa em relação ao perigo. E o que representa o perigo? O Lobo Mau.

Pergunto. O que o Lobo Mau quer fazer com a Chapeuzinho Vermelho no meio do caminho? Ele quer comer os doces. Como é que a Chapeuzinho Vermelho sabe que ele quer comer os doces? Porque eles conversam. O Lobo Mau pergunta o que ela leva. Ela responde que leva os doces para a vovó.

Agora eu pergunto a vocês. Lobo fala? Fica de pé? Come doces? Dialoga com criança? Não. Esse lobo aparenta ser um lobo? Não aparenta. As atitudes dele lembram as atitudes de um homem. E agora, mais novo ou mais velho que ela? Mais velho. As atitudes dele são de um homem mais velho. Não seria isso talvez que tivesse despertado a curiosidade da menina? E ela vai até lá.

Agora outra pergunta. Essa menina entrega ao lobo o que ele quer? O Lobo Mau quer comer o doce da Chapeuzinho Vermelho. E Chapeuzinho Vermelho não dá o doce.

Pergunto mais uma vez. Se chapéu não é chapéu, se o vermelho é mais do que vermelho, se o lobo não é lobo, será que o doce é doce? Lembrem, o lobo quer comer o doce da Chapeuzinho Vermelho, sem levar em consideração que o verbo comer tem mais de um significado. O próprio verbo comer pode ter um significado sexual. Nós sabemos disso. Não vamos ficar enrolando muito para chegar nesse contexto. Se é uma proposta sexual, pergunto. É por isso que Chapeuzinho Vermelho não sede a Lobo Mau? Sim. Nessa hora ela foge do caminho. Ela vai para o caminho mais longo. Lembram que a mãe tinha dito do caminho mais longo.

Qual a razão de a Chapeuzinho Vermelho ter ido? Ela ficou com medo do Lobo Mau, com certeza. Ela tinha curiosidade, mas tinha medo. O medo a leva a lembrar do conselho que a mãe deu, para ela pegar o caminho mais longo. E o Lobo Mau desiste? Desiste nada. O Lobo Mau não desiste porque não é papel do homem desistir quando uma mulher diz não. Se quando a mulher diz não o homem desiste, a humanidade acaba. Porque o papel do homem é insistir. Ele vai atrás buscando um outro caminho.

O Lobo Mau vai para casa da vovó. Será que a Chapeuzinho Vermelho orientou direitinho como seria a chegada na casa da vovó? Não. Então como é que o lobo sabe onde a vovó mora? Será que a vovó sabe que onde ela mora tem lobo mau? Sim, ela mora na floresta. O Lobo Mau mora na floresta. Se a vovó sabe que na floresta tem lobo mau, certamente o Lobo Mau sabe que na floresta tem vovó. Então ali não há segredos.

Ela vai até a casa da vovó. Chegando lá ele bate à porta e imita a Chapeuzinho Vermelho. Vejam, o Lobo Mau que bate à porta, que fala, lembrem-se que esse lobo nunca tem atitude de lobo. Ele bate à porta, a vovó simplesmente abre a porta. A vovó é ingênua, tola, ela não sabe que existe lobo mau, ela não conhece lobo mau? Lógico que conhece. Afinal de contas ela não está ali à toa. A vovó conhece o lobo há muito tempo.

E por que a vovó abre a porta? Porque ela não tem medo de lobo. Ela sabe quais são os riscos que existe se o lobo a encontrar. O lobo pode comer a vovó. Ela não tem medo disso. Então ela a abre a porta. O lobo come a vovó. Algum trauma em relação ao lobo comer a vovó? Nunca. Ninguém. Feliz da vovó.

Chega a Chapeuzinho Vermelho. Perceberam que Chapeuzinho Vermelho chegou pelo caminho mais longo onde estava o lobo. Lembrem, o lobo foi pelo caminho mais curto da floresta. Chapeuzinho Vermelho mudou, foi pelo caminho mais longo. Vamos tentar lembrar o que foi que a mãe falou. Para ela pegar o caminho mais longo, que era mais seguro e não o caminho mais curto.

O que ela disse foi: “Pois é, minha filha, lobo mau existe. Ele vai estar no nosso caminho. Você pode simplesmente procurá-lo muito rápido ou então esperar o momento certo”. Não é esse o conselho que a mãe dá a filha? Ela num primeiro momento não ouve, mas na hora H muitas acabam caindo com o bom juízo e indo para o caminho que ela quer.

Muito bem. Lá vai Chapeuzinho Vermelho para a casa da vovó. Quando ela chega na casa da vovó bate à porta. Você já viu neto bater à porta da casa da avó quando chega? Acho que duas portas nunca estão fechadas na casa da vovó, a da própria casa e a da geladeira. Isso daí está sempre aberto para o neto o tempo inteiro.

Vamos dizer que Chapeuzinho Vermelho seja uma menina educadinha. Ela bate à porta. O lobo mais uma vez usa sua habilidade, não o lobo, ele simplesmente finge que é a vovó e manda ela entrar. Chapeuzinho Vermelho entra e encontra o lobo na cama.

Pergunto a vocês. Chapeuzinho Vermelho era míope? Tinha algum tipo de debilidade mental? Não. É como uma neta confundir a avó com um lobo. Por mais feia e peluda que a avó fosse. Será que Chapeuzinho Vermelho desconfia de algo? Desconfia. Ela começa a fazer perguntas. Ela pergunta: “Que olhos grandes são esses?”. Ele fala: “São para te ver melhor”. Fala assim: “Que nariz grande é esse?”. “É para te cheirar melhor?”. “Que orelhas grandes são essas?”. “São para te ouvir melhor”.

Pessoal, isso daí são perguntas que se faça a uma avó? Pergunta estranha. Percebam que existe um jogo de sensualidade dentro dessa brincadeira, dentro da pergunta que a Chapeuzinho Vermelho faz e o Lobo Mau responde você percebe que ele diz o seguinte: “Eu quero te deixar, eu quero te ouvir, eu quero te ver”. Existe todo um jogo de sentido nesse contexto.

Mas Chapeuzinho não esmorece. Ela continua, continua com esse joguinho. Vejam que jogo malandro a Chapeuzinho Vermelho faz. Ela continua com essa brincadeira até a hora que ela fala da boca do lobo. Ela diz que a boca do lobo é grande. Resposta dele: “A boca é para te comer”.

Muito bem. Nós já vimos que chapéu não é chapéu, vermelho não é vermelho, lobo não é lobo. Agora, será que boca não é boca? Eu não vou entrar na questão para ficar perguntando o que será que a Chapeuzinho Vermelho falou para o Lobo Mau naquele momento, mas é o momento em que o lobo ataca. Ele vai para cima. Vai para cima com tudo. Ela aceita aquilo que está acontecendo? Não. Ela grita. O lobo não desiste. A investida do lobo continua. O lobo vai mais uma vez para cima dela e ela grita. Pergunto. Por que ela grita? Será que ela está com medo? Será que ela quer chamar a atenção? Ou será porque tem alguma coisa doendo? O que será que está doendo?

Vejam. Imagine se todas as insinuações que nós fizemos nos conduz a um contexto sexual, por que será que essa menina está gritando? Nós estamos falando que está havendo um ato sexual dentro desse contexto, mas será que ele é recíproco, ou seja, que existe aceitação das duas partes? Não por parte de Chapeuzinho Vermelho. Então nós percebemos que o que está acontecendo é na verdade uma violência sexual. Chapeuzinho Vermelho está sendo estuprada, por isso ela grita.

Os gritos chamam a atenção de um caçador que passa por perto. Ele entra na casa, mas só depois do ato ser consumado. Quando ele entra, não pode mais reverter a situação. Ele simplesmente vai lá e abre a barriga do lobo. Quando ele abre a barriga do lobo, a duas saem de lá mortas? Não. Chapeuzinho Vermelho saí viva e a vovó também saí viva.

Em que momento da vida um ser saí da barriga de outro vivo? No momento do nascimento. Chapeuzinho Vermelho está nascendo? Não está nascendo. Ela está renascendo. Veja que Chapeuzinho Vermelho passa por duas fases. A primeira fase é quando ela ganha a sua roupinha vermelha, quando ela se torna de menina para mocinha. Virou mocinha. Agora vem uma segunda fase. O que aquela vermelhidão diz para a Chapeuzinho Vermelho? Quando a menstruação vem para a menina ela diz o seguinte: “Você já está com o organismo maduro para ser mãe”. Mas não a cabecinha madura ainda. Ela precisa de experiência na vida.

Agora ela aprende a ser mulher. Então ela renasce, de menina ela renasce mulher. E a vovó que vinha atrás, era virgem também? Porque Chapeuzinho grita porque foi violentada e foi violentada sendo que isso nunca tinha acontecido antes, logo ela grita e chora porque está sendo violentada e porque está perdendo a virgindade.

Mas a vovó não era virgem. Então porque a vovó renasce? Por uma razão bem simples, sexo é vida. Enquanto nós tivermos a nossa função sexual na nossa vida, nós ainda estamos biologicamente ativos. Então esse é o contexto que vai se desenrolar.

Vamos fechar essa história. Quem é o lenhador? O caçador, seja lá quem for aquele que vem acudir quando a menina grita. Pensa comigo um pouquinho. Quem é aquele que chega quando o fato está consumado, só fica sabendo quando o fato está consumado e tem de administrar tudo o que está acontecendo? Esse é o pai dela. Adianta matar o Lobo Mau? Adianta nada. Porque deve ser difícil quando ele ver a Chapeuzinho Vermelho saindo lá de dentro, a própria filha, mas logo atrás vem a vovó. A avó não é a mãe dos pais. Então quem é aquele velhinha que vai saindo? É a mãe dele. Ele pensa que se está vivo hoje foi porque um dia meu pai foi lobo e a minha mãe foi Chapeuzinho Vermelho. Se a minha filha hoje está vida é porque um dia eu fui lobo e a minha esposa foi Chapeuzinho Vermelho.

Alguma coisa fora do padrão de a minha filha se tornar fora do padrão, de a minha filha se tornar Chapeuzinho Vermelho e encontrar o lobo? Não. Está dentro da normalidade. Mas isso não significa que o lobo simplesmente vai sair dessa impune. Você fez o que fez lobo, só que agora é hora de carregar o peso da responsabilidade disso tudo. É por isso que o caçador enche a barriga do lobo de pedras e costura em seguida, ou seja, já que você fez a responsabilidade toda é sua.

Já tinha ouvido essa versão da história? Essa é a versão real. Mas como ela é fantasiada da maneira que nós vimos? Por uma razão bem simples, imagine como era a primeira noite das moças aí há alguns séculos. Será que as meninas se casavam com qual idade? Se casavam com 12, 13 anos. Assim se tornavam mocinhas, assim que menstruassem. Nesse contexto como que elas iriam conhecer o marido? Será que a mãe explicava direitinho o que aconteceria na noite de núpcias? Logicamente que não. Então essa menininha conheceu o sexo na hora. Será que o homem naquela época era gentil, delicado e sensível a ponto de ter paciência com a menina? Lógico que não.

Imagine essa menina assustada com 12 anos e homem muito mais velho que ela vindo para cima e invadindo o corpo dela. Será que aquilo ela aceitava pacificamente? Lógico que não. Ela tentaria lutar contra aquilo. E o que o homem faria naquele momento? Forçaria até conseguir o que ele quisesse, ou seja, na verdade ela seria estuprada na noite de núpcias. Lua de mel é um eufemismo, uma forma bonita de apresentar o que a realidade construía.

Então vejam só o que os Irmãos Grimm fizeram nesse contexto. Eles apresentaram para as meninas, já que essa é uma história feita para menina, uma espécie de estrutura subliminar, uma informação que ficaria implantada na mente dessas meninas para que quando elas tivessem que passar por essa experiência traumática, já que todas passariam praticamente por essa experiência, aquilo não fosse algo inédito em suas vidas, mas sim um fato que elas já tivessem pelo menos dentro de uma historinha vivenciado.

Então entendam o que é contexto. Essa foi uma história feita dentro de um contexto do passado em que a vida sexual das meninas era muito complexa, muito difícil. Eles tentaram oferecer a elas simplesmente alguma coisa para poder sustentá-la. Vale a pena nós conhecermos um pouquinho sobre essa história e perceber como é possível nós desvendarmos todo um contexto e encaminhar os resultados de uma estrutura através do processo que foi feito de perguntas, buscando respostas que solucionem essa estrutura que é na verdade o trabalho que nós fazemos dentro da postura coaching, ou seja, questionamento para que você se oriente e desenvolva ferramentas para que você construa o seu próprio contexto. Essa foi a nossa apresentação de hoje sobre o que é contexto.

E para não deixar barato, eu vou falar para vocês um pouquinho sobre uma outra estrutura de contexto no nosso momento do professor, ou seja, quando nós falamos da dica do professor.

DICA DO PROFESSOR

Eu vou falar sobre um elemento que traz muito problema no contexto que é o pronome possessivo, o seu.

Essa palavrinha traz uma expressão muito forte dentro do contexto e acaba gerando ambiguidade, porque muitas vez nós não percebemos bem o que estamos falando. Imagine que eu dissesse o seguinte:

— O professor pediu para o aluno levar seu livro à biblioteca.

Dependendo de quem está ouvindo isso daí, ele vai pensar de quem é o livro. Do professor. Outro vai falar que não, o livro é do aluno.

Perceba que quando eu digo:

— O professor pediu para o aluno levar seu livro a biblioteca.

Esse “seu” não determina se o livro é do professor e do aluno. Isso é um dos aspectos muito comuns em nossa fala e nós erramos bastante.

Para que você pense nisso, lembre-se. Não use o pronome “seu” sem você perceber em que você está construindo para não dar ambiguidade. O melhor seria você dizer simplesmente que:

— O livro do professor foi entregue pelo aluno à biblioteca a pedido do primeiro.

Pronto. Já sabemos quem pediu e quem entregou e nós evitamos a ambiguidade. Então cuidado com o seu trabalho dentro dessa estrutura.

MINUTO DO COACHING

E eu vou fazer a vez do Sulivan, finalizando tudo isso com o Minuto do Coaching, deixando para vocês uma pergunta bem simples:

O QUE VOCÊ TEM FEITO PARA MUDAR O CONTEXTO DA SUA VIDA PARA QUE ELE SE TORNE POSITIVO E TRAGA OS RESULTADOS QUE VOCÊ REALMENTE ESPERA ATINGIR?

Eu sou o professor Nélson Sartori e deixo a vocês o nosso site, que é o site do programa acertarehumano.com.br e o meu site sartoriprofessores.com.br.

Um grande abraço a todos e até semana que vem.

♪ [tema acertar é humano] ♪

Você ouviu pela Mundial o Programa Acertar é Humano. Apresentação Sulivan França e Nélson Sartori. Uma produção da Sociedade Latino-Americana de Coaching, a elite do coaching no Brasil.

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